Depoimento reforça tese sobre tesouro russo

Um veterano de guerra russo afirmou hoje ter visto fragmentos do famoso Salão Âmbar em um castelo alemão nos últimos dias da 2.ª Guerra Mundial, em abril de 1945, e que um dos tesouros artísticos mais importantes do mundo pode ter sido destruído por um incêndio.A versão do veterano Leonid Arinshtein, renomado especialista em questões literárias da Fundação da Cultura Russa, um órgão não-governamental, coincide com um livro recém-publicado que afirma que a famosa sala foi destruída pelo fogo pouco depois de a cidade alemã de Koenigsberg, então capital da Prússia Oriental, ter sido tomada pelo Exército Vermelho.Arinshtein, de 79 anos, se lembrou de ter visto fragmentos de uma decoração em âmbar em um castelo de Koenigsberg, mas disse que na hora não percebeu que estava diante de parte do famoso tesouro artístico. "Provavelmente fui uma das últimas pessoas a ver o Salão Âmbar", disse Arinshtein, que era tenente do Exército Vermelho a cargo de um pelotão de fuzileiros. "Mas eu era apenas um garoto de 19 anos e não entendi o que tinha visto", completou. Ele disse que, depois de entrar no castelo, viu alguns fragmentos de uma decoração âmbar nas paredes e perguntou a um dos guardas do local onde estava o resto. O guarda disse que estavam no sótão, e se ofereceu para mostrá-las, mas o jovem russo não quis. Quando voltou ao castelo, dois dias depois, Arinshtein não pôde voltar a ver o salão porque o fogo havia destruído a cidade. Somente anos mais tarde, quando leu alguns artigos sobre o Salão Âmbar em Koenisberg entendeu a relação entre os fragmentos que havia visto no castelo e o tesouro perdido. Koenigsberg foi anexada pelos soviéticos e rebatizada de Kaliningrado. O salão foi criado com 450 quilos de âmbar e oferecido pelos reis da Prússia ao czar Pedro, o grande, fundador da cidade russa de São Petesburgo. Saqueado pelos nazistas de um antigo palácio imperial em 1941 e levado para a Alemanha, o salão desapareceu durante a guerra. Uma reconstrução dele, realizada a um custo de US$ 8 milhões e financiada em parte por uma empresa alemã de gás, foi inaugurada em São Petesburgo em maio de 2003.

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