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Dentista é um bom besteirol

Estreia de Marcelo Adnet na Globo é uma espécie de alívio

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2013 | 02h12

A primeira observação a ser feita sobre a estreia de Marcelo Adnet na Globo é uma espécie de alívio: ufa, que bom que não o aproveitaram do avesso, como aconteceu naqueles longas-metragens da Globo Filmes. Se nas produções da família Marinho para o cinema conseguiram exibir um Adnet sem graça, insípido e inodoro, na tela da TV aberta e na condição de protagonista, sim, ele fez toda a diferença.

O Dentista Mascarado tem a trilha incidental e a iluminação do thriller que o diretor José Alvarenga Jr. citou, ao mencionar que esta seria uma série policial. Junte a isso um texto e uma interpretação prontamente apresentáveis para a comédia rasgada, e tem-se então um mix inédito para os padrões Globo, com todos os requintes que a palavra "inédito" pode significar.

Deu-se um tempo a pudores que, convenhamos, de tão previsíveis, já soam falsos para um veículo que pretende se apresentar como reflexo da vida real do cidadão médio brasileiro. Há palavrões, que bom. Há piadas de mau gosto, que bom, com evidente escárnio em sua apresentação. Há, em suma, um pouco do linguajar que o espectador consome em seu dia a dia e até naquela TV chula dos noticiários policialescos à qual a classificação indicativa não impõe restrições.

Adnet destaca sílabas e promove a entonação de cada uma delas com precisão para o papel de um respeitável idiota. Dança, vira os olhinhos, faz o diabo. Permite-se empastelar com classe ao entabular uma dobradinha muito feliz com Leandro Hassum e seu primoroso "Ihhhh", gemido de alerta que prenuncia o desastre absoluto. Thaís Araújo é a boazuda que passa ao largo dos dois, com graça e malícia. E a direção arremata a química do trio de atores com competência à altura do script de Alexandre Machado e Fernanda Young.

O Ibope respondeu bem. A audiência na Grande São Paulo, segundo dados preliminares da medição instantânea, ficou em 17 pontos de média e 21 de pico, patamar que o Casseta & Planeta já não atingia no horário. A segunda colocada, o SBT, no caso, contentou-se com 6 pontos no horário. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na região.

O Dentista Mascarado vale a visita às noites de sexta-feira, mas convém ao espectador que apareça por lá sem constrangimentos e pré-conceitos. Não vale também esperar pelo Adnet da MTV - este estará mais bem representado num futuro quadro de stand up com texto próprio.

Por ora, se achar melhor, tire crianças, senhores e jovens reservados da sala e permita-se embarcar no riso, sem vergonha de curtir um bom besteirol. O Dentista passa longe de pretensões de engajamento. É tão somente um convite ao ócio, na melhor tradução da passividade que a TV ainda pode propiciar ao espectador, em especial no encerramento dos dias úteis da semana.

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