Denise Fraga volta ao palco após sete anos

Em meados da década de 80, depois de passar pelo Grupo Tapa, a atriz Denise Fraga formou sua companhia teatral - o Cite Teatro -, que tinha um fusca como símbolo. Isso porque os cenários das peças tinham de caber na mala do fusca 64 da atriz. Em entrevista num Café da Praça Vilaboim, a recordação é acompanhada de boas risadas. Mas a lembrança em nenhum momento vem associada a idéias como "tempos difíceis" ou "precariedade". Pelo contrário. São lembranças agradáveis, de bons momentos na carreira dessa atriz que muitos conhecem apenas pelo grande talento cômico.Compreensível quando associamos seu nome ao quadro Retrato Falado exibido aos domingos no programa Fantástico, da Rede Globo, ou a interpretações como a da minissérie Auto da Compadecida. Mas quem teve a oportunidade de vê-la em peças como Contos de Inverno, de Shakespeare; Senhora dos Afogados, de Nélson Rodrigues ou Esperando Godot, de Beckett, todas montagens cariocas, sabe que ela pode ser definida como comediante. Talento que poderá ser conferido a partir da próxima semana, quando ela volta ao palco, depois de sete anos, com a peça Versões da Vida, da autora francesa Yazmina Reza.Ela interpreta uma mulher que recebe, com o marido, um casal para jantar. Os dois homens são colegas de profissão, ambos são astrofísicos. "É uma comédia, tem tempo de humor, mas, ao mesmo tempo, a autora fala de coisas extraordinárias", diz Denise. "Yasmina fala como é preciso prestar atenção nas relações humanas, de como entortamos uma coisa aparentemente tão fácil que é viver e se relacionar." Sob direção de Elias Andreatto, com Marco Ricca, Ilana Kaplan e Mario Schöemberger no elenco, a montagem estréia no dia 9, no Teatro Renaissance.O intervalo na carreira chama atenção. Afinal, foram 12 anos seguidos de atuação em teatro. "Essa será a minha 15.ª peça. "Lembro que entre minha saída de Trair e Coçar e o início da temporada de A Quarta Estação (com Juca de Oliveira, em 1996), houve um intervalo de um mês. Fui ao cinema num sábado, no Conjunto Nacional, e levei um susto com aquela quantidade de gente. Achei que tinha acontecido alguma coisa especial", lembra. Só então percebeu que há anos não ia ao cinema em fins de semana. Mas a motivação para tal intervalo foi mais do que justa - os filhos. São dois, de 7 e 5 anos. "O teatro solicita nossas noites, justamente o momento em que a família fica junto, brinca, conversa. E a infância é tão fugaz. Por outro lado, estava com urgência de palco."

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