Denise Fraga

A comunicação direta com o público é sua conquista: A peça a alma boa de Setsuan lota, há meses, o Teatro Tuca, enquanto ela planeja sua volta para a TV

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Você tem filhos quase na idade (10 e 12) que os adolescentes do filme As Melhores Coisas do Mundo, no qual interpreta uma mãe. Assim, já enfrenta os mesmos problemas?

Ainda não, mas a escola é um microcosmo da sociedade e nos ensina muito. Adolescentes são muito monossilábicos e meu objetivo é criar um canal de comunicação com eles sem ser chata e, se possível, obter uma resposta completa, mais que "legal", "gostei" (risos). Muitas vezes, eles não querem que você seja amiga, mas sim a mãe deles. E o filme da Laís (Bodanzky) mostra isso com perfeição.

Por falar em comunicação, você é vitoriosa em manter um contato direto com o público, em qualquer mídia. Isso explica o sucesso da peça A Alma Boa de Setsuan?

Acho que sim. A minha crença é a comunicação pela arte. O público não precisa ter paciência diante de um espetáculo, o ator é quem deve resgatá-lo. Como vivemos em um país com deficiência na educação, estamos sempre atrás de pessoas que não detenham os códigos para estabelecer essa comunicação. Não adianta falar para poucos nem descer o nível. Temos de ser como Charles Chaplin, que encanta o grande público e também a elite intelectual com um produto de primeira.

O discurso de Brecht, em A Alma Boa, é bem compreendido?

Com certeza. Claro que muitas pessoas vão ao teatro para ver a "comediante" Denise Fraga, já entram sorrindo. À medida que a peça vai avançando, alguns vão ficando decepcionados, mas logo a comunicação se estabelece e eles ficam ligados na trama, mesmo não gargalhando como esperavam. Sempre acredito na possibilidade de ter artimanhas de comunicação em algo muito hermético. E Alma Boa me deu essa chance. Além de artistas, somos como encantadores de serpente, mas sem ser didáticos. Acredito no popular que não precisa ser fácil - só precisamos dar o caminho das pedras.

E quando você retoma esse canal de comunicação com o público na televisão?

O Luiz (Vilaça, diretor e seu marido) está desenvolvendo novos projetos na Globo junto do (dramaturgo) Sérgio Róveri. Ainda não sei, mas lamento muito que Norma não tenha dado certo. O horário (domingo, depois do "Fantástico") não era bom. Também perdemos pela pressa em ter um ibope bom e rápido.

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