Delicadezas de Mano Le Tough

Hype do ano em sites de eletrônica apresenta seu híbrido de pop e dance

ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2013 | 02h20

O equilíbrio entre canções e faixas de pista faz de Mano Le Tough um dos nomes mais distintos a surgir da cena eletrônica de Berlim recentemente. No álbum Changing Days, lançado em março, digressões intimistas, guiadas por melodias atmosféricas, são elegantemente destrinchadas através de estruturas de house music. A batida é muitas vezes coadjuvante à progressão das faixas e auxilia na construção de um mosaico delicado e apaziguante que não perde sua proposta de pista. O nome Le Tough ("o bruto") é uma piscadela ao som da música de Niall Mannon, irlandês radicado na capital alemã.

Trata-se da síntese de uma identidade que Mano desenvolve há alguns anos em EPs como Stories e Mountains, e mostra hoje e amanhã em São Paulo nas festas de aniversário do coletivo Gop Tun. "O disco é o resultado de um processo que começou há anos buscando harmonias e melodias que combinam, adaptando influências que sempre tive, desenvolvendo um jeito próprio de ouvir", conta Mano, via Skype de seu apartamento em Berlim, onde produz faixas e remixes durante o dia.

O aprimoramento do som ouvido em Changing Days deve muito à festa Passion Beat, que Mano organizou por três anos em inferninhos de Berlim, colaborando com DJs em ascensão como John Talabot, com quem integra a escalação do selo Permanent Vacation. Talabot é um hit no nicho de house com um pé no indie pop, e precedeu Mano no ano passado, com o ótimo disco ƒIN. "Tudo isso foi antes dos nossos amigos ficarem famosos", conta, sobre Talabot e outros, como o conterrâneo Chymera e o parceiro The Drifter, cofundador da Passion Beat. "Mas agora a festa está praticamente encerrada. Ninguém tem mais tempo", completa.

A efervescente cena de Berlim não é, entretanto, para Mano, inseparável de seu crescimento artístico. "É uma coisa pessoal. Se você vai fazer alguma coisa, pode fazer em qualquer lugar. O som seria apenas diferente se eu tivesse ficado em Dublin. Mas, por razões pessoais, foi muito bom para mim vir para cá. Na época era barato e eu precisava sair da Irlanda e me dedicar a uma coisa só", conta. "Mas, para algumas pessoas, é o pior lugar do mundo para ser produtivo. Há festas todos os dias. Dá para passar a semana inteira na farra. Eu gostava muita de sair quando cheguei aqui, mas agora estou mais tranquilo", afirma.

O set recente que Mano fez para o site Boilerroom.tv indica umas boas duas horas de deep house sutil e distinto no salão que a Gop Tun encontrou em Santa Cecília, sem aderir aos chavões que praguejam o gênero e muitas de suas releituras contemporâneas.

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