Delegação francesa tem olhar sobre o Brasil

E o ator e diretor Roschy Zem anuncia que trabalha no remake de ‘O Invasor’, o longa de Beto Brant

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2016 | 22h48

Notícias do Brasil agitaram a coletiva da delegação que veio ao País para promover o Festival Varilux do Cinema Francês. Atores e diretores participaram, ontem, 8, da abertura do evento em São Paulo, apresentando os filmes e depois debatendo com o público. A grande novidade – o ator e diretor Roschdy Zem anunciou que prepara atualmente o remake de O Invasor, de Betô, disse em francês, Brant. Já está no segundo tratamento do roteiro.

Roschdy veio apresentar seu longa Chocolate sobre o palhaço, o primeiro negro a se apresentar como comediante em circos da França. Ao mesmo tempo que era respeitado como artista, Chocolat sofria discriminação por causa da cor da pele. No limite, a fama, o sucesso e o racismo destruíram sua dupla com Footit. Foi uma história que Roschdy Zem quis contar pelo prazer de trabalhar com Omar Sy, que faz o papel, mas também pelas implicações políticas e sociais na trajetória do personagem. Nascido numa família pobre de imigrantes marroquinos, o diretor sabe bem sobre o que está falando.

Lou de Lâage, atriz de Agnus Dei, de Anne Fontaine, teve de encarar jornalistas ávidos pela comparação do filme – sobre freiras polonesas violadas durante a 2.ª Grande Guerra – com o recente caso da garota vítima de estupro coletivo no Rio. “Nosso filme não é sobre o estupro e, inclusive, ele nem é mostrado. É sobre o que vem depois, a luta dessas mulheres para superar o trauma. Anne (a diretora) foi maravilhosa. O tema pode ser doloroso, mas o set foi tranquilo. Gostei muito de interagir com grandes atrizes polonesas de teatro e cinema.”

Dominic Guay, diretor de Flórida, com Sandrine Kiberlain e Jean Rochefort – sobre filha que acompanha o pai debilitado numa viagem pelos EUA –, destacou a excelência de dois filmes brasileiros recentes que viu na França – Les Bruits du Recife (O Som ao Redor), de Kleber Mendonça Filho, e La Seconde Mère (Que Horas Elas Volta?), de Anna Muylaert. “Aprendi muito sobre o País e as tensões sociais dentro da casa e da família brasileiras”, resumiu.

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