Definidos os jurados do concurso do Caderno 2

Termina à meia-noite de domingo o prazo para as inscrições no Concurso Cultural do Caderno 2, que vai publicar dez contos inéditos com o futebol como pano de fundo. As inscrições estão abertas desde o dia 1.º, única e exclusivamente pelo e-mail contos.futebol@grupoestado.com.br. Até agora já estão concorrendo 400 contos. Nesta semana, foram definidos os quatro jurados do concurso, que já estão debruçados sobre os textos recebidos até agora. São eles: os jornalistas Moacir Amâncio e Marcelo Duarte, o publicitário André Laurentino e a professora Berta Waldman - todos eles escritores. "Li os cem primeiros contos e notei que grande parte deles é feita de memórias, da infância perdida, do mundo simples, de parentes ou amigos que se foram - e em todas elas o futebol aparece como revelação ou mediação desses valores", comenta André Laurentino, ele próprio um autor que já explorou o futebol de forma literária, em A Paixão de Amâncio Amaro, lançado no ano passado. Colunista do Guia do Estadão, ele opina sobre a iniciativa do jornal em realizar o concurso: "Acho que esse tipo de estímulo gera não apenas bons escritores, mas sobretudo bons leitores. A dificuldade do fazer, da descoberta (empírica ou não) de técnicas narrativas desperta outro tipo de sensibilidade no leitor que precede o escritor. E sensibilidade é algo raro hoje em dia. Muitos participantes foram buscar em suas vidas epifanias quase esquecidas, e as trouxeram ao presente outra vez. Reviveram, e reinventaram as próprias histórias. O jornal - que tanto nos solapa com a dureza da realidade - tem a mesma força para nos fazer viver o que só aconteceu na imaginação. Para a literatura, isso é real o suficiente." A jurada Berta Waldman, professora da USP, tem livros ensaísticos publicados sobre Dalton Trevisan, Nelson Rodrigues e Clarice Lispector, entre outros. Ela dá uma dica aos que ainda querem se inscrever: "Dos textos do concurso que já li, alguns não conseguem escapar dos chavões relacionados à partida de futebol propriamente (o árbitro ladrão, fidelidade eterna ao clube, aos jogadores), ao nacionalismo (país do futebol e do carnaval, o melhor do mundo) a um certo machismo, que exclui a mulher do futebol, mas não da cama: o sexo aparece aliado de algum modo ao futebol em vários textos. A questão é driblar os chavões e caminhar na contramão do previsível e do convencional." O jornalista Marcelo Duarte sempre teve sua carreira muito ligada ao futebol, inclusive participando de coberturas de Copas do Mundo. Na televisão, ele participa do programa Loucos por Futebol, na ESPN Brasil. No rádio, comanda Fanáticos por Futebol, na Bandeirantes AM. Como editor da Panda Books, cuidou de recente biografia de Charles Miller e do Almanaque dos Campeonatos Brasileiros. "O futebol tem uma importância enorme para o brasileiro e estávamos esquecendo de escrever essa história. Um concurso como esse do Estado ajuda a fomentar ainda mais essa paixão pelo esporte e mostra que há muita gente preparada para escrever com criatividade sobre ele", declara Duarte. Moacir Amâncio é professor de língua e literatura hebraica na USP. Tem vários livros de poemas, entre eles, Do Objeto Útil (Iluminuras), O Olho do Canário (Musa), Contar a Romã (Globo) e Óbvio (Travessa dos Editores). Também publicou contos, O Riso do Dragão (Ática), e o ensaio Dois Palhaços e Uma Alcachofra (Nankin). Ele também alerta os participantes: "Muitos acreditam que basta anotar alguma coisa da memória antiga, da infância, alguma emoção que julgam especial por ser intensa e já tem um conto. Não é bem assim. Assobiar é uma coisa, criar uma melodia é outra. Rir de uma cena qualquer é uma coisa, recriá-la de forma humorística é outra."

Agencia Estado,

27 de abril de 2006 | 11h43

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