DECEPCIONA CERIMÔNIA

Piadas de Seth MacFarlane não conseguem animar plateia do Dolbv Theater

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2013 | 02h07

E o primeiro prêmio da 85.ª cerimônia de entrega do Oscar foi para... Christoph Waltz, por Django Livre. Contrariando as apostas que davam como certo o troféu para Tommy Lee Jones, o austríaco Waltz ganhou seu segundo Oscar de melhor coadjuvante por um papel que Quentin Tarantino escreveu especialmente para ele - após o primeiro prêmio, por Bastardos Inglórios, há três anos. Steven Spielberg podia começar a se preocupar. Campeão de indicações, com 12, Lincoln foi perdendo a preferência com a proximidade da festa, mas permaneciam, como intocáveis, os prêmios para Tommy Lee Jones e Daniel Day-Lewis, o Lincoln.

Se o favoritismo de Lee Jones não se confirmou, o prêmio de melhor atriz coadjuvante consagrou Anne Hathaway e todos os indicadores - os prêmios das Guilds, o Globo de Ouro - apontavam para a vitória da Fantine de Os Miseráveis, de Tom Hooper. A festa começou pontualmente às 22h30, horário do Brasil, e após oito minutos de falatório do âncora Seth McFarlane, até o capitão Kirk, William Shatner (da série Jornada nas Estrelas), deu o ar da graça. Ele veio do túnel do tempo para antecipar as manchetes dos jornais de hoje - que em todo mundo devem estar anunciando que McFarlane foi o pior apresentador do Oscar em todos os tempos. Era piada, mas, infelizmente, não muito longe da verdade. Popular entre os jovens, por Uma Família da Pesada e Ted, McFarlane se pauta por um humor politicamente incorreto. A Academia fez questão de proclamar que não iria censurá-lo. Suas piadas começaram de gosto duvidoso - uma canção sobre os seios das atrizes - e foram ficando anódinas, só retomando a incorreção num inesperado diálogo entre Mark Wahlberg e o próprio Ted sobre o que é ser judeu em Hollywood.

Para complicar, o Oscar deste ano teve um tema - a celebração do musical. Mas era preciso gostar muito do gênero cantado e dançado para apreciar tantos números sem graça. A coisa até que começara promissora. No pré-Oscar, Charlize Theron arrasou no tapete vermelho e o aspirante a melhor ator Bradley Cooper chegou com a mãe. Amanda Seyfried, Jessica Chastain e Jennifer Lawrence - as duas últimas indicadas para o prêmio de melhor atriz - foram instantaneamente escolhidas como as mais bem vestidas da noite. Claro que houve o Valentino vermelho de Jennifer Aniston e Hugh Jackman, que deu uma de Wolverine, pegando a mulher e a entrevistadora no colo. Tudo isso foi perfumaria para a festa que, exatamente às 23 h, anunciou o Oscar de melhor longa de animação - Valente, da dupla Mark Walters/Brenda Chapman. A heroína de cabelo vermelho merecia melhor que o texto incrivelmente pífio que Paul Rudd e Melissa McCarthy, não sem algum constrangimento, recitaram para um bilhão de espectadores ao redor do mundo.

A esta altura, a cerimônia, na tentativa de recuperar a audiência - que tem despencado nos últimos anos -, já estava disparando para todos os lados. Maior sucesso de público do ano, Os Vingadores colocou no palco do Dolby Theatre cinco de seus atores - Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Jeremy Renner e Samuel L. Jackson - para entregar o prêmio de fotografia para Claudio Miranda, por As Aventuras de Pi. O mesmo quinteto ficou no palco para entregar o Oscar de efeitos visuais, e ele também foi para o filme de Ang Lee.

Com aquele Valentino e escoltada por Channing Tatum - o stripper de Magic Mike, de Steven Soderbergh -, Jennifer Aniston entregou o Oscar de figurinos, que foi para Anna Karenina, de Joe Wright. A dupla permaneceu no palco para entregar o prêmio de maquiagem para Os Miseráveis, de Tom Hooper. Pausa para celebrar os 50 anos de James Bond. A bondgirl Halle Berry fez a apresentação e uma seleção de cenas, ao som de temas famosos - a própria Shirley Bassey cantou, sem o vigor de antes, a canção de Goldfinger -, lembrou momentos importantes da trajetória do agente secreto mais popular do cinema. Faltou a cena de Um Novo Dia para Morrer em que Halle homenageia Ursula Andress em O Satânico Dr. No, saindo da água com aquele biquíni.

Quase meia-noite, 23h50. Duas belas, Jennifer Garner, a sra. Ben Affleck, e Jessica Chastain, anunciaram o Oscar de melhor filme estrangeiro, que confirmou o favoritismo de Michael Haneke e foi para Amor. Depois de Christoph Waltz, a Áustria voltou ao pódio. Danou-se quem esperava ver o autor austríaco perder para o chileno No, de Pablo Larraín. Afinal, anos atrás ele também era favorito, por A Fita Branca, e perdeu para o argentino O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella. Haneke agradeceu especialmente a seus dois atores, Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, dizendo que sem eles o filme não teria sido possível. Na sexta à noite, vale lembrar, Amor já havia sido o grande vitorioso do César, o Oscar francês, ganhando nas categorias de filme, diretor, roteiro (Haneke) e ator e atriz.

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