Deborah Wasserman por Deborah Wasserman

"Minha maneira de pensar e o processo de minha criação são muito ecléticos. Colho e absorvo as impressões exteriores, mas a maior parte do meu trabalho concentra-se na tentativa de colocar em ordem o meu mundo interior. Em que? Meu mundo interior é composto de infinitas narrativas, contradições, becos sem saída, identidades emprestadas, trechos de recordações, fantasias, emoções, sensações e desejos. Este mundo interior é eclético no sentido de que ele é estratificado e complexo. Não há nele uniformidade e não está organizado. Ao contrário. Ele está pleno de duplos significados, polarizado e com inúmeros detalhes comprimidos. Minhas pinturas estão influenciadas pela projeção do filme temporal a respeito de minha (nossa) vida. Os temas principais de meus trabalhos de arte (tanto nas pinturas, como nos trabalhos de vídeo e instalações) se relacionam a questões de identidade, de pertinência, questões sobre fé e espiritualidade, sensualidade, desenvolvimento, vida e morte. Meu portrait aparece às vezes nas minhas pinturas, não porque sou narcisista mas pelo fato de que isto me permite salientar o fato de que eu estou "dentro da pintura", seja do ponto de vista de minha responsabilidade afetiva, como pelo fato de que sou consciente da teatralização que existe em cada processo de despojamento. É importante assinalar que afinal cumpro o meu papel, querendo ou não. A coloração de meus trabalhos é fundamentalmente influenciada pelas cores da terra, com toque de turquesa, branco, vermelho e verde. A cor marrom é uma cor muito sensitiva e enraizada que evidentemente tem uma conotação de terra. Quando eu trabalho com cores de terra, que também são as cores da sujeira e da lama, eu me lembro de uma frase de Rembrandt, quando se referia à sublimação na arte e sobre o fato de que todo pintor aspira criar um processo alquímico de transformar o lodo em ouro. Acredito na necessidade premente e essencial de voltar ao Ser, ao Eu, a uma existência que não é unicamente conceptual e cerebral, mas também física e corporal, no momento presente e na vivência criativa. Esta é a minha utopia: utilizar os instrumentos de expressão artísticos para traduzir nossa sublime essência."

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