Deborah Colker traz "4 por 4" a SP

Eles são jovens, bonitos,simpáticos e sensuais. Seus movimentos são rápidos, os gestoságeis, muitas vezes audaciosos e arriscados. Laranja, vermelho,verde e azul, cores vivas e fortes somam-se ao som tecno. Climade videoclipe, jovem, a chave para entender o sucesso da Cia. deDeborah Colker que envolve platéias de todo o mundo. O grupoestréia nesta quarta-feira, em São Paulo, sua novacoreografia, 4 por 4, no Teatro Alfa. Até domingo, o público paulistano poderá mergulhar nesseuniverso pop criado por Deborah. 4 por 4 foi concebidaquando a companhia ainda estava em turnê com o espetáculoanterior, Casa. Durante as excursões, a diretora percorreudiversos museus e conferiu uma série de exposições. As imagensfervilhavam em sua mente. "Em 1999, quando acompanhava otrabalho de Francesco Clemente no Guggeheim de Nova York, fiqueiencantada, e decidi que minha próxima coreografia estaria ligadaàs artes plásticas", diz. Quatro artistas plásticos foram convidados a participardo novo projeto. Com exceção de Cildo Meireles, que emprestou aobra Cantos, datada do fim dos anos 60, o grupo Chelpa Ferro,Victor Arruda e Gringo Cardia criaram peças especialmente para acompanhia. 4 por 4 apresenta artistas de diferentes geraçõese concepções artísticas. "Não queria apenas quadros ouinstalações, creio que a diversidade é enriquecedora." Cada cena tem sua história. O interesse de Deborah porCantos, de Cildo Meireles, surgiu em 2000, quando a intérpretevisitou uma exposição individual do artista no MAM. "Adoro otrabalho do Cildo. Ia embarcar naquele dia para Washington com acompanhia, sabia que só teria aquele momento. A primeira obraque vi foi Cantos, fiquei ali parada diante da instalaçãoapenas pensando nas inúmeras possibilidades de dança que haviaali." Após reunir os desenhos, dispersos por diferentes museus os projetos tomaram forma de instalação. O concreto assumiucontornos de movimentos pelas mãos de Deborah. Bailarinostrajados com figurinos de cores vivas em oposição à obra branca.O estilo elétrico - marca registrada do grupo - entra em ação.Em ritmo frenético, os intérpretes sobem e descem, penduram-se,desafiam a gravidade, tiram o fôlego do público. Em seguida, chega ao palco um objeto inusitado,denominado Mesa, criado pelos artistas plásticos Luiz Zerbini eBarrão, o editor de imagens Sergio Mekler e o produtor musicalChico Neves integrantes do Chelpa Ferro. "Eu e os meninos doChelpa somos da mesma geração, criamos esse objeto juntos,trocamos idéias até chegar ao resultado final." Um mesa comrodas, que produz a música da própria coreografia. Deborahequilibra-se, engana os olhos. Ainda, antes do intervalo, mais um quadro: Povinho,inspirado no painel de 12 m x 14 m feito por Victor Arruda.Partes do corpo em proporções enormes, colorido, ganham oespaço. Neste trabalho, Deborah quis ocupar todos os buracos docorpo humano, uma referência à fase de descobertas. Em Povinho, a dança toma entornos sensuais, algumasvezes escatológicos, quando os bailarinos se encontram, se tocame se cheiram. "Lidamos com códigos diferentes, uma outramaneira de relacionamento, sempre de forma ingênua, comdelicadeza." Deborah afirma que a parceria com Arruda foi umaexperiência marcante. Ao conhecer as obras do artista plástico,a coreógrafa passou a estudar, ler e visitar a galeria deArruda. "Fiquei impressionada com a linguagem. Povinhotambém foi realizado em parceria - Arruda fez várias cartolinas,discutimos muito até finalizar a obra." Após um breve intervalo, Deborah volta ao palco, masdesta vez em frente de um piano para tocar a Sonata em LáMaior de Mozart. Há mais de 20 anos sem se apresentar, aintérprete dá o tom a duas bailarinas que apresentam um númeroexecutado nas pontas. Em As Meninas, a companhia presta umahomenagem a Goya e Velázquez. Um momento que explora adelicadeza e suavidade. "Esse quadro mostra a característicamultifacetada da artista, sem dúvida é um desafio tremendo, mastambém o início de algo, de um novo espetáculo. Tenho algumascoisas em mente com os colaboradores, o ato de criar com outrosartistas, a música ao vivo e as sapatilhas de ponta." Para encerrar, uma parceria antiga com o amigo GringoCardia, autor de Vasos. Como o nome indica, esses objetosforam espalhados pelo palco e com destreza os bailarinosapresentam uma coreografia ousada, horizontal, sem esbarrar nosvasos. Ganchos descem, encaixam-se perfeitamente nos objetos quesão erguidos, o grande final. "4 por 4 traz elementos de todaa minha vida, da experiência com o grupo Coringa, como jogadorade vôlei e os estudos de psicologia. Hoje compreendo que a artetem muitas faces."Serviço - Cia. de Dança Deborah Colker. De 4.ª a sáb., às 21 h; dom., às18 h. De R$ 20 a R$ 50. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de AndradeFilho, 722, tel. (11) 5693-4000. Até domingo.

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