Débora Falabella estréia em peça de Nelson Rodrigues

Parece coisa de DNA mesmo, de formação, a vontade natural que todo ator brasileiro tem de participar de um Nelson Rodrigues. Débora Falabella, uma das mais notáveis atrizes de sua geração, está adorando o seu primeiro Nelson. A Serpente, montagem da diretora mineira Yara Novaes para a última peça escrita pelo dramaturgo, estréia hoje no Teatro Faap, em São Paulo, em curta temporada, até o dia 5 de fevereiro. A peça veio do Rio, onde estreou em setembro. ?Fiquei muito feliz por ter sido convidada, apesar de começar logo pelo último. Mas, é interessante, tudo do Nelson está ali, de uma maneira muito concisa?, diz a atriz, que chegou esbaforida ao ensaio na segunda-feira, vinda das primeiras gravações de Sinhá Moça, próxima novela das 6 da TV Globo e da qual será protagonista. Débora, aliás, está em todas: mal concluiu o trabalho na minissérie JK, em que viveu a jovem Sara Kubitschek, já foi escalada para mais uma novela. ?Juntou tudo, mas é bacana, estou adorando.? Nelson Rodrigues escreveu a história das duas irmãs que acabam dividindo o mesmo homem dois anos antes de morrer, em 1978, e quando já estava muito mal de saúde. Mesmo assim, trabalhou a trama exaustivamente, até chegar à concisão de um ato apenas. ?Algumas pessoas dizem que é um texto menor do Nelson, mas eu não concordo?, observa Yara. ?É um texto ágil, rápido, e no qual ele não se debruça em aspectos que poderiam ser adjacentes ao drama das irmãs, o que me agrada bastante.? Em A Serpente, Débora é Guida. Ela e Lígia, sua irmã (vivida pela atriz Mônica Ribeiro), se casam no mesmo dia e, de tão ligadas, vão morar com os maridos no mesmo apartamento. Guida é feliz. Já Lígia, tem marido impotente, Paulo (Alexandre Cioletti), que a abandona sem cumprir os deveres matrimoniais, por assim dizer. Desesperada, ela tenta suicídio. É quando Guida lhe oferece, de bom grado, uma noite com seu marido, Décio (Augusto Madeira). A partir daí, pode-se imaginar que a insanidade toma conta do apartamento. O apartamento, cenário onde se desenvolve a trama, é assinado pelo premiado André Cortez: uma armação de ferro, com dois quartos estilizados, que tenta levar ao espectador a impressão de que os personagens estão no 12º andar, onde se passa a história. Somada à trilha sonora moderna de Morris Piccioto, com intervenções das próprias falas dos atores que, mixadas, parecem repercutir doentiamente em eco na cabeça dos personagens, também dá outra impressão, a de que se modernizou Nelson Rodrigues. Mas como modernizar um autor que lida com elementos nada transitórios? Yara explica que não se trata de modernizar, mas de dar uma leitura especial, pelo jeito mineiro de fazer teatro. O texto, frisa Yara, está todo lá. ?É ipsis litteris?, diz. ?Não há intenção de se dizer o Nelson de uma forma mais moderna do que ela realmente é. Outro aspecto importante é que a maioria do grupo é de mineiros. Então, temos um jeito próprio de ler Nelson, que não é ligado à geografia de Nelson, à geografia carioca. É a leitura de um autor que fez um teatro muito próprio, que tem, sim, um sotaque brasileiro, mas que é fundamentalmente universal. É o sotaque do drama existencial.? ServiçoA Serpente. 60 min. 16 anos. Faap. R. Alagoas, 903, 3662-7233. 21h(6.ª e sáb.); 18h (dom.). R$ 40 (6.ª e dom.) e R$ 50(12) sáb

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