DeAnima estréia "Despertar" no Rio

O espetáculo Despertar, que estréia amanhã no Teatro Carlos Gomes, com a companhia DeAnima, é a realização de um antigo sonho do norte-americano Richard Cragun e do carioca Roberto de Oliveira. Há muitos anos, eles sonham montar uma escola de dança e um grupo estável, com a filosofiado Ballet Sttutgart, da Alemanha, onde foram primeiros-bailarinos. A idéia tornou-se realidade em dezembro, com o patrocínio da prefeitura do Rio, e a estréia é o início das atividades da companhia. No programa, dois trabalhos de Oliveira, criados para o Sttugart, Despertar, com música de Alfred Schnittke (compositor russo contemporâneo), eTehillim, com música de Steve Reich."Não trouxe as coreografias exatas porque prefiroadaptar cada peça ao grupo que vai dançá-la. O bailarino nãopode receber o trabalho como uma roupa usada e sim como uma obrade alta-costura adequada a ele", diz Oliveira. "Osprofissionais brasileiros têm características diferentes, maisdesinibição corporal, musicalidade e senso de ritmo. Na músicade Schnittke, por exemplo, eles não têm um ritmo definido paracontar e só a intuição musical do brasileiro consegue trabalharesse aspecto."Despertar e Tehillim usam elementos do baléclássico e do moderno, mas Oliveira prefere chamar seu estilo decontemporâneo. Independentemente de classificações, exigemtécnica apurada e esforço físico dos bailarinos, sete homens eseis mulheres em cena, mas o virtuosismo não é o objetivoprincipal do coreógrafo. "Não é mera exibição técnica, emboraexija preparo de quem dança. Mas esse rigor serve à história quequero contar", diz Oliveira, que convidou o primeiro-bailarinoda Companhia Nacional de Danza de EspaÏa, Pedro Goucha Gomes,para dançar na primeira das duas semanas da temporada. "Osbailarinos brasileiros que encontrei têm essa técnica, emboranem todos venham de uma formação clássica. Alguns foram umasurpresa, como Eduardo Pacheco, que fazia dança de rua eadaptou-se imediatamente ao grupo."Futuro - Esta semana, já ensaiando no Carlos Gomes,Oliveira e Cragun alternavam momentos de nervosismo com aalegria de concretizar um sonho antigo. Com uma verba de R$ 2milhões anuais da prefeitura, eles alugaram um armazém na zonaportuária do Rio, onde funciona a escola desde dezembro, dãoaulas em associações beneficentes e favelas e têm planos paramais três espetáculos ainda este ano: "Cinderela", em julho,"Romeu e Julieta" e programa variado com coreógrafosbrasileiros convidados, no segundo semestre.Parece muito, mas Richard Gracun quer mais. No baléSttutgart, ele foi partner de Márcia Haydée e depois diretor dacompanhia. "Aprendi que os espetáculos devem ser planejados comum ou dois anos de antecedência. Há compositores, cenógrafos,figurinistas e todo um pessoal técnico envolvido. Fazer tudofuncionar depende de uma organização que deve ser aprendida",ensina. Ele já dançou muito no Brasil, mas sabe que precisa seadaptar. "Encontrei pessoas de excelente nível técnico,generosas e abertas a experiências, mas é preciso abandonar oimproviso. Planejar e antecipar dá menos trabalho e seorganizarmos o desprendimento brasileiro teremos a qualidadeideal."Para esse primeiro espetáculo, o DeAnima recrutoubailarinos profissionais, mas a idéia é, já no segundo semestre,buscar alunos na escola da companhia. "Há muitos projetossociais que envolvem dança e queremos contratar os que sedestacam. Vamos também formar técnicos, tão fundamentais quantoos bailarinos. Em "Despertar", há 15 profissionais em cena e20 nos bastidores, fazendo o espetáculo acontecer", diz Cragun.Ele só não pensa em coreografar ou dançar na nova companhia."Não nasci com talento de coreógrafo nem sinto falta de dançar,pois fiz isso durante 45 anos. Se um dia o Roberto criar umapeça que exija alguém com minha idade e experiência, estoudisponível, mas agora é a vez das novas gerações."

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