De volta à praça

Em nova edição, Satyrianas torna a concentrar eventos na Praça Roosevelt

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2011 | 03h09

As Satyrianas estão fazendo o caminho de volta para casa. Mesmo com a Praça Roosevelt em reforma, o tradicional festival de artes cênicas retorna ao seu endereço de origem. "A ideia é retomar o conceito das Satyrianas", diz Rodolfo García Vazquez, diretor do grupo Os Satyros e um dos organizadores da festa, que começa amanhã e se estende até segunda. "No ano passado, tudo estava muito disperso e as pessoas acabavam não se encontrando."

Na edição anterior, o evento ficou dividido entre os teatros da Roosevelt e uma tenda montada na Rua Augusta. Agora, a tenda foi abolida e, as atividades, reunidas todas ao redor da praça. Nesse contexto, a reconstrução do espaço encontra eco na Satyrianas 2011. "Estamos olhando um pouco mais para dentro da praça. E, quando nos voltamos para o nosso umbigo, é possível descobrir novas possibilidades", observa Rodolfo.

Entre as novidades previstas para este ano está o evento Autopeças, uma série de espetáculos concebidos especialmente para serem encenados dentro de carros. Parados ou em movimento, 18 veículos servirão de palco para breves cenas de autores convidados. Trechos da montagem Autobahn - texto de Neil Labute que tematiza a quantidade de tempo que perdemos em deslocamentos automobilísticos - também serão encenados.

Outra atividade a ser testada este ano são os passeios ciclísticos dramáticos. Com suas próprias bicicletas, o público segue um grupo de atores até alguns pontos do centro, como a Praça da República e o Teatro Municipal. Lá, poderão acompanhar breves esquetes. "Estamos colocando em prática a ideia de um teatro expandido, que não acontece apenas na sala convencional, mas que usa outros meios para se manifestar", aponta Rodolfo. "Vamos buscar novas formas e pesquisas."

As mudanças, ressalta o organizador, são uma maneira de preservar o espírito festivo do evento, "o seu caráter de diversão, provocação", resume. Tenta-se evitar o engessamento das Satyrianas. "Não nos interessa adquirir o formato de um festival tradicional. E, quando você programa uma peça depois da outra, é grande o risco de que isso aconteça."

As experimentações, contudo, não tiraram espaço da faceta mais tradicional e esperada da festa: o DramaMix. Sediada no Espaço Satyros 2, essa fatia da programação teve sua estrutura preservada. Deve apresentar, durante quatro noites, montagens de textos inéditos de 30 autores. Como de costume, o evento é a oportunidade de ver em primeira mão obras que, mais tarde, acabam merecendo desdobramentos e dando origem a espetáculos.

Alguns dramaturgos habitués da praça irão mostrar seus trabalhos inéditos. É o caso de Sergio Roveri, que escreveu Esperando Sentada, texto que merece direção de Elias Andreato e será encenado amanhã, às 22h. No sábado, é possível conferir a montagem da peça de Marcelino Freire Amar É Crime (21h). Na sequência, surgem Casa do Brasil (22h), obra de Veronica Stigger, dirigida por Henrique Stroeter, e Taeter (23h), nova criação do ator e diretor Luiz Päetow. Domingo é o dia de ver as criações de dramaturgos consagrados do cenário paulistano, como Marta Góes, Marici Salomão, Roberto Alvim e Marilia Toledo. Encerram a festa as novas crias de Celia Regina Forte, O Que Seria se Fosse, (20h), e de Hugo Possolo, Eu Cão Eu (22h).

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