Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

Dê uma chance à Vila Leopoldina: ela cresceu e está cheia de lugarzinhos especiais

Repórteres do guia 'Divirta-se' mostram que bairro da Zona Oeste de São Paulo, vizinho do Parque Villa Lobos, não fica longe coisa nenhuma

Luiza Wolf, Marina Vaz e Míriam Castro, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h00

Nós do 'Divirta-se', paulistanos que somos, sabemos como funciona. Elogiamos o gigantismo da cidade e as opções que só ela tem. Mas, acostumados aos nossos próprios bairros, mal saímos deles. E achamos qualquer um que não seja o vizinho imediato ‘suuuper longe’.

A Vila Leopoldina, pobrezinha, já ganhou esse apelido por aí. Mas a verdade é que ela está logo ali, perto do Alto de Pinheiros, ao lado do Parque Villa-Lobos e do Ceagesp. Há cerca de quatro anos, depois de um boom imobiliário, o bairro começou a mostrar seu potencial. O comércio, é claro, acompanhou o crescimento. Fomos lá xeretar. E ficamos um tanto decepcionados com a qualidade dos serviços.

Demos ao bairro uma nova chance. E ele retribuiu a confiança. Está cheio de lojas, bares e restaurantes que, em sua maioria, são frequentados por locais. Mas que estão prontos para receber ‘turistas’. Gente como você, leitor. Evite o trânsito (intenso para um bairro pequeno) e percorra o território delimitado pelas ruas Guaipá, Passo da Pátria e Imperatriz Leopoldina a pé - como se morasse por lá.

FALSO LONGE

Sotaque caipira

O Salomé Bar, com 40 anos de história em Sorocaba, escolheu a Vila Leopoldina como porta de entrada para o público paulistano. Desde o fim de março, a casa serve aqui seus 350 tipos de cachaça, que acompanham de porções de amendoim a pizza frita. R. Tripoli, 120, 3641-0414.

Devagarinho

Já pela porta de vidro, vendo os guardanapos de pano e as taças de vinho à mesa, dá para notar que o italiano Mamaggiore está longe de ser um ‘fast food’. Ainda assim, a casa tem ‘combos’ interessantes. No almoço, durante a semana, salada, massa e sobremesa custam R$ 29,90. R. Carlos Weber, 594, 3644-3364.

Dúvida cruel

Não se sinta mal: até os mais decididos ficam em dúvida diante das 27 coberturas criadas pela pizzaria Ritto. Entre elas, está uma versão da ‘Quatro Queijos’ feita com mussarela, mascarpone, gruyère e parmesão (R$ 64,60). A casa também tem uma osteria, que serve massas, peixes e carnes. R. Nanuque, 243 e 253, 3836-2166.

Toma que faz bem

A carta de sucos funcionais do Mangaba Juice Bar é quase um receituário médico. Tem fórmulas ‘anti-estresse’, ‘revigorante’ e até ‘anti-envelhecimento’. Dica: esqueça as prescrições e escolha sua combinação predileta. O ‘emagrecedor’ (R$ 6,20), por exemplo, com maçã, damasco e canela, satisfaz até o mais magrinho dos clientes. Av. Imperatriz Leopoldina, 1.091, 3831-6101.

Fazendo fita

Fitinhas coloridas penduradas na fachada recepcionam os clientes da loja de acessórios Las Tinas, instalada há cerca de quatro anos no bairro. As mesmas fitinhas aparecem, trançadas, revestindo bolsas-carteira artesanais (R$ 160, em média). R. Carlos Weber, 442, 3641-6801.

 

 

NOVO, NOVO NOVINHO

A transformação do bairro se dá não só por casas que acabaram de chegar. As mais antigas, sem querer ficar para trás, adoram se reinventar.

No refeitório

Aberto há um mês, o Comedoro tem cadeiras coloridas e estêncil nas paredes. No almoço, três opções: a ‘natural’ (com criativos pratos vegetarianos), o ‘PF’ e a massa (R$ 25, em média). Prove a levíssima coalhada fresca com frutas vermelhas (R$ 6). R. Aroaba, 333, 3831-3675.

Acessórios pra quem?

Na parte menos movimentada da rua Carlos Weber, bolsas de couro coloridas (R$ 200/R$ 400) chamam logo a atenção de quem passa pela vitrine da Cristiane Oki. Mas, ao entrar, elas disputam a preferência com nécessaires, relógios, bijuterias e acessórios de prata. R. Carlos Weber, 300, 3641-4067.

Saudade da vovó

A Villa di Vó fisgou seus clientes com os bolos (R$ 6, a fatia). Mas, há uma semana, uma reforma na cozinha trouxe concorrentes. Duas opções de almoço diárias (R$ 22,90), como o risoto ao funghi com filé ao molho de ervas. R. Trípoli, 89, 2609-2600.

 

 

Leitura dinâmica

O Sesi Vila Leopoldina só abre de 2ª a 6ª, das 18h às 20h, e aos sábados, das 10h às 17h. Tudo bem: as prateleiras recheadas de sua famosa gibiteca convidam a (várias) visitas, mesmo que curtinhas. R. Carlos Weber, 835, 3834-5523.

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

Famosa entre os locais por seu trânsito intenso, a rua Carlos Weber é pontilhada de charme - do pequeno empório italiano a uma casa só de (bons) cupcakes.

Volte sempre

Uma placa de ‘Volto logo’ na porta da Com Fuxicos dá à rua um clima interiorano. Não desanime: dê uma volta e tente de novo. Os bonecos infantis, kits de costura, bolsas e carteiras (todos de tecido) são graciosos e feitos à mão, por artesãos. R. Carlos Weber, 516, 3774-6807.

 

 

Nas nuvens

Ali, gema de ovo não entra na massa. A manteiga também não. E o açúçar é bem pouco. Talvez por isso os cupcakes (R$ 7,50/R$ 8,50) da Delicake sejam bem mais leves que os de outras casas especializadas. O de cenoura só sai do forno às segundas e terças e o de limão, às quartas e quintas. R. Carlos Weber, 330, 3021-7648.

Nunca é demais

A Capadócia vem para reforçar o time de pizzarias do bairro. Com inauguração marcada para a próxima quinta (26), tem cardápio com 38 coberturas tradicionais, com diversas variações para sabores como calabresa e atum. R. Carlos Weber, 78, 3641-6645.

Três em um

O Primo Vere começou como um empório. Depois também incluiu uma carta de massas congeladas, para preparar em casa. E, então, passou a servir almoço, em algumas poucas mesas. A sugestão do dia (R$ 19,90) é composta por antepasto, pão italiano, salada e, claro, uma massa. R. Carlos Weber, 100, 3641-7863.

 

 

Tchau, indecisão

O Dona Leide ainda tem cheiro de tinta fresca - a casa, que funciona apenas à noite, abriu há menos de uma semana. Diante do cardápio, só há duas escolhas possíveis: o recheio (são 26 opções salgadas e sete doces) e se você o quer no pastel, na panqueca ou na batata suíça (de R$ 8 a R$ 20). R. Trípoli, 163, 3641-3316.

Pecado nada

Não importa se o que o leva ao Maria Gula é o bufê de almoço (R$ 39,90, o quilo) ou as pizzas, como a de alho poró com cream cheese (R$ 50), servidas à noite. O que não vale é deixar de pedir o bolo ‘Dois Amores’, de beijinho e brigadeiro (R$ 5,90, a fatia). R. Carlos Weber, 606, 3641-2511.

 

 

WINDOW SHOPPING

Nem é preciso comprar. Mas as vitrines do bairro estão cheias de preços convidativos. E os botecos e lanchonetes de cadeiras para quando você cansar.

Ó de casa

Nada como comprar artigos para casa em uma loja que parece, bem... uma casa. Na Viva o Presente! tem de tudo, mas o que prevalece são produtos para a cozinha: pratos, xícaras e pires cheios de mimo. A cesta de piquenique (R$ 198, foto) é a desculpa que falta para aquele domingo no parque. R. Brentano, 442, 3645-3834.

Pedala!

Além de vender bicicletas e acessórios, a Pedal da Vila é ponto de encontro de ciclistas, que, todas as quartas, às 20h30, pedalam pelo bairro, cada semana por uma rota diferente. O passeio é grátis. R. Paulo Franco, 55,2614-2225.

Pra brincar

As crianças também têm vez. Os brinquedos da Mimos & Cia tem ótimos preços: os bichos de pelúcia custam cerca de R$ 40, mas também há patins e jogos de tabuleiro. R. Carlos Weber, 1.446, 3831-1714.

Pé sujo

O Box Burger começou como delivery. Hoje, tem algumas mesinhas no ambiente bem simples. Os sanduíches são caseiros e saborosos, como o X-Salada (R$ 9,90). R. Nanuque, 532, 3832-8816.

Bairrista

O Sr. Marcos nem tenta esconder que está pertinho do Ceagesp: instalado em um galpão amplo, o bar é decorado por um painel de Eduardo Kobra. O cardápio, variado, traz petiscos, como os bolinhos de arroz com queijo emmental (R$ 15). Av. Imperatriz Leopoldina, 1.490, 3831-2282.

Tá dominado

A Barello parece querer dominar o bairro com seus sanduíches: já tem três unidades ali. Prove o beirute ‘Barello’, com presunto, queijo e rosbife (R$ 24,90/ R$ 31,90) e o hambúguer de picanha (R$ 15,30). R. Schilling, 359, 3641-6375.

MUNDO AFORA

Pouco a pouco, a diversidade da cena gastronômica paulistana se reflete por ali. Ao lados dos caseirinhos e italianos, japas e sandubas não param de chegar.

Tradição expandida

Com cardápio idêntico ao da matriz, que funciona desde 1974 em Pinheiros, o Nello’s serve suas receitas italianas - como as bruschettas ‘Panzanella’, com tomates (R$ 12) - na Vila desde junho do ano passado. R. Guaipá, 880, 4304-2666.

Para turista ver

A Love to Dress é uma loja de bairro que conquista os ‘turistas’. As araras exibem vestidos de festa com preços bem abaixo dos praticados nos endereços mais conhecidos (na faixa de R$ 200). Ali também há bons sapatos e blusinhas, dispostos no ambiente espaçoso e bem decorado. R. Carlos Weber, 436, 3642-1963.

Goiabada, né

O Mure Sushi tem ambiente e preços modestos. O rodízio completo sai por R$ 35,90 (nas sextas e fins de semana). As receitas clássicas estão inclusas, mas o sushiman gosta mesmo é de ‘invencionices’, como o sushi de salmão com goiabada. R. Nanuque, 572, 2157-4434.

Escondidinho

Quem passa na porta nem suspeita. Mas atrás do espaço dedicado aos vestidos da Muchacharica funciona um salão de beleza. Enquanto decide o que colocar na sacola, cuide dos cabelos, faça as unhas, bata um papinho... R. Carlos Weber, 1.205/1.213, 3596-9878.

Vitroooola

E daí que você não tem discos de vinil? A jukebox à venda na Dryzan é retrô só na aparência: por trás das luzes coloridas, há entrada para CD, cartão de memória e cabo USB - além de rádio AM e FM. Para colocá-la no centro de suas festas é preciso desembolsar R$ 1.110. R. Schilling, 306, 3641-5883.

PONTO QUENTE

A clássica sorveteria Damp escolheu a Vila Leopoldina como o primeiro bairro a receber uma filial de sua casa, assim como a consagrada cantina Nello’s.

Maria crescidinha

Em oito anos, o Maria Lima triplicou de tamanho. No almoço (R$ 21,60/R$ 25,60), serve picadinho e escondidinho de carne seca. À noite, peça as trouxinhas crocantes de camarão (28,60), A antiga carta de copos de cerveja não existe, mas ainda é possível escolher um dos sete tipos disponíveis. R. Carlos Weber, 1.490, 3645-0932.

Velho fashion

Na Soo Soo Mercado Vintage, os itens à venda têm mais de 20 primaveras. São 7 mil artigos, entre roupas, acessórios e móveis, muito procurados pelos estúdios de cinema dos arredores. R. Campo Grande, 426, 3644-3683.

Tá combinado

No Seo Leopoldo sábado é de feijoada (R$ 39,90). Nos outros dias, a pedida é o ‘Combinado de Salgados da Vovó Leopoldo’ (R$ 19,50), com bolinhas de queijo, croquetes e coxinhas. R. Carlos Weber, 350, 3647-9615.

Forno orgânico

A Wheat Organics também prepara refeições saudáveis. O iogurte natural (R$ 6,50) é feito na própria padaria. Dos pães, peça o de figo (R$ 9,50) e o de queijo, feito com meia-cura mineiro (R$ 3,50). A cada mês, uma nova salada é criada. R. Carlos Weber, 1.622, 3628-8209.

Arte local

Na Mari Art, há móveis delicados, como as mini-cômodas (R$360) e os porta-colares (R$ 320), feitos por Marizilda Teixeira, que mora no bairro desde os três anos de idade. R. Paulo Franco, 305, 3645-0709.

Casa nova

A dona da sorveteria Damp, Dalmira Donizi, resistiu quase 40 anos. E só abriu a filial por achar a Vila bem parecida com seu bairro de origem, o Ipiranga. R. Bela Nápolis, 29, 3644-5541.

UM POUCO DE TUDO

Entre uma casa que reúne de açougue a adega e uma loja de decoração que vende apenas enfeites de algodão, a Vila Leopoldina não faz feio em diversidade.

Na pracinha

Na esquina em frente a uma tranquila praça está a pizzaria Brascatta. A criação que leva o nome da casa reúne queijo brie, rúcula, peito de peru e fatias finas de maçã verde (R$ 50). Como entrada, a sugestão é a berinjela ao forno (R$ 25). R. Passo da Pátria, 1.685, 3648-5898.

Zona litorânea

Os atóis (recifes que crescem sobre montanhas submarinas de origem vulcânica) inspiraram o nome do bar O Atol. O clima é simples e praiano - ideal para provar um açaí (R$ 9/R$ 12) ou um lanche natural, como o de atum, queijo branco, alface, cenoura e beterraba (R$ 10). R. Br. da Passagem, 1.460, 3641-7934.

Feitos de pano

A artesã Ciça Nogueira é quem abastece as prateleiras da Ideias a Fio com objetos de algodão estampado. Até as tradicionais frutas de cera, como as berinjelas decorativas (R$ 40), são feitas de tecido. Todos os meses, há cursos de bordado. R. Brentano, 476, 3021-2688.

À sombra

No Imperatriz Villa Bar, escolha uma das mesas do quintal. Ali, entre árvores e uma fonte, peça um dos espetos da casa, como o de alcatra com molho pesto de rúcula (R$ 16). R. Passo da Pátria, 1.673, 3644-4363.

Parece, mas não é

À primeira vista, a Casa London é uma grande padaria. Que guarda rotisserie, açougue, mercadinho, adega... Ah, e tem ‘até’ pães e doces, como o ‘Brigadeiro London’ (R$ 3,90). As mesas e sofás, com vista para uma praça, são uma boa opção no fim de tarde. R. Passo da Pátria, 1.679, 3647-9090.

 

 

Você sabia?

Em 1827, toda a região era conhecida como ‘Sítio Emboaçada’ e pertencia ao fazendeiro João Correia da Silva.

Em 1894, a empresa E. Richter & Company começou a lotear a área, que na época abrigava chácaras de padres jesuítas alemães.

Para atrair moradores à área loteada, a E. Richter promoveu passeios de barco pelo rio Tietê e piqueniques (para 500 convidados!).

Homenagem à imperatriz? Nada! O bairro recebeu o nome da sócia da empresa loteadora, Dona Leopoldin Kleeberg.

De 2007 para cá, foram construídos na Vila Leopoldina 3.237 apartamentos. Das novas unidades, 49% têm quatro dormitórios.

Em cinco anos, o custo da região da Carlos Weber duplicou. O metro quadrado, que valia R$ 3.005, saltou para R$ 7.405.

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