Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

De São Paulo a Juazeiro do Norte

Galeria Choque Cultural leva artistas para ocupar a cidade cearense com exposição e intervenções urbanas

Marina Vaz, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2013 | 05h53

Juazeiro do Norte amanheceu um pouco mais próxima de São Paulo. Começa hoje, na pequena cidade do interior do Ceará, a Ponte, um programa de intercâmbio artístico organizado pela galeria Choque Cultural. O festival vai promover intervenções urbanas, encontros e oficinas, além de uma mostra com cerca de 50 obras no Centro Cultural Banco do Nordeste.

O grupo de artistas participantes, que desembarcou ontem na região do Cariri, inclui Daniel Melim, Stephan Doitschinoff, Mariana Martins, Presto, Znort e o coletivo SHN. A seleção levou em conta a ligação deles e de seus trabalhos com a cultura local. Doitschinoff, também conhecido como Calma, expõe pinturas que exploram símbolos ligados ao sincretismo religioso brasileiro. Outro exemplo são as esculturas de Znort, que fazem referência aos ex-votos, peças de madeira que costumam ser colocadas em igrejas por fiéis.

A exposição, que permanece em cartaz até 30 de setembro, apresenta ainda fotografias, instalações e pinturas feitas nas paredes e na fachada do centro cultural. Mas as ruas de Juazeiro também serão tomadas por arte. Até segunda-feira, Presto e Melim vão pintar murais ao ar livre e o grupo SHN vai fazer várias intervenções na cidade, colorindo pontos como caixas de luz e muros quebrados.

A maratona prevê também visitas a ateliês da região, como o do escultor Mira Nordestino e de xilogravuristas, ligados à literatura de cordel.

A 'ponte' é concluída com a oportunidade de os artistas locais trocarem experiências com os curadores Baixo Ribeiro (sócio da galeria Choque Cultural) e Rosely Nakagawa. "Serão dois dias inteiros de leitura de portfólios, sem seleção prévia; vamos montar uma estratégia de atendimento para ver os trabalhos de todos os interessados", diz Baixo.

E a ideia dos organizadores é que o projeto não pare na ligação São Paulo-Juazeiro do Norte. "Queremos manter o canal aberto com esses artistas e, depois, levar a Ponte para outras cidades brasileiras", afirma o curador. "Nossa visão é criar uma rede de cidades interessadas no intercâmbio cultural."

O projeto Ponte marca o novo momento da Choque Cultural, criada em 2003 por Baixo Ribeiro, Eduardo Saretta e Mariana Martins, com a proposta de aproximar a arte dos jovens. As ações educativas, sempre presentes na programação da galeria, ganharam autonomia com a criação do Eduqativo ("com 'q' de qualidade, qualificação"). Nos últimos três anos, a instituição sem fins lucrativos já formou 150 professores da rede pública (incluindo escolas estaduais e CEUs) sobre o tema da arte urbana.

Segundo Baixo, eles também negociam levar o projeto Ponte para as Fábricas de Cultura, mantidas pelo governo do Estado - interligando, neste caso, em vez de cidades, diferentes bairros de São Paulo.

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