De Rock in Rio a Gui Boratto, dez motivos para dançar neste 2011

O ano de 2011 já caminha para o seu grand finale e até aqui nenhuma novidade incrível chegou para quebrar paradigmas no mundo da música. No universo das batidas eletrônicas também não houve grandes mudanças, mas não dá pra reclamar. Bons lançamentos, grandes festivais de música pop com belos line-ups de DJs, novos artistas brasileiros despontando por aí... Daqui até dezembro, tem tanta coisa legal acontecendo que resolvi fazer um listão de 10 coisas pra ficar de olho se você gosta de música eletrônica. Vamos a elas, então.

Claudia Assef, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2011 | 00h00

Dimitri from Paris no Rock in Rio

Com ingressos esgotados há meses, o Rock in Rio 2011 já fez história como um dos primeiros festivais grandes no País a vender ingressos muito antes de ter line-up anunciado. Se você garantiu suas entradas ou vai tentar a sorte com cambistas, fique de olho também nas atrações do palco Eletrônica. Logo na segunda noite do festival (24/9), um nome histórico, Danny Tenaglia, americano que ajudou a construir as bases da house music em Miami e NY. No dia seguinte, é noite de "maximal", um tipo de electrohouse mais barulhento e festivo, com os paulistas do Killers on The Dance, os cariocas do The Twelves, o americano Steve Aoki e o alemão Boys Noize - se você não curte um som mais pesadão, passe longe!

Na quinta (29/9), o groove imperdível dos lendários Masters at Work (DJs "Little" Louie Vega e Kenny "Dope" Gonzalez) já vale a viagem à Cidade do Rock. Eles fazem a autêntica house music de NY, com sotaque latino. Tipo de som de pista que levanta até defunto!

Na sexta (30/9), a noite é para quem gosta de house e techno mais modernosos. Belo line-up, traz os brasileiros Ingrid (de Santos), Renato Ratier (dono do clube, selo e agora também agência de DJs D-Edge) e o arrasa-quarteirão Gui Boratto (já voltamos a falar dele), além dos gringos Guy Gerber (Israel) e Luciano (Chile). Sabadão (1.º/10) é noite de gala para quem quer chacoalhar o esqueleto com classe. Nada menos do que a comemoração de 15 anos da festa nova-iorquina Body & Soul vai reunir na Cidade do Rock os DJs François K, Danny Krivtz e Joe Claussel. Que me desculpem Coldplay e Maroon 5 que tocam no palco Mundo, mas a coisa ficou pequena pra eles perto de tanta qualidade no palco Eletrônica.

Se eu pudesse escolher uma noite para estar no Rock in Rio seria domingo (2/10). Além da carga emocional que carrega o último dia de um grande festival, um dos meus DJs preferidos toca no palco Eletrônica, o francês Dimitri from Paris. Não à toa, é o responsável por fechar a programação do palco, tocando logo após a banda Hercules & Love Affair, outro ponto alto da noite. Sobre Dimitri, dá pra dizer que é um dos maiores pesquisadores de disco music do planeta. Quando se trata de botar nego pra dançar com elegância, ele é o cara.

Rei da house no SWU

Outro grande festival que investiu forte na programação para dançar é o SWU, que ocorre nos dias 12, 13 e 14 de novembro em Paulínia, interior de SP. Ainda há ingressos. O primeiro lote com preço promocional pode ser comprado até segunda (19/9) e custa R$ 210 (pista, por dia) e R$ 535,50 (passaporte para os três dias).

Mesmo que você vá ao SWU mirando os headliners Sonic Youth, Peter Gabriel, Duran Duran, Faith No More, Alice In Chains, Black Eyed Peas, Kanye West ou Snoop Dogg uma visita ao palco Heineken Greenspace vale a caminhada.

Na noite de estreia (12/11), ninguém menos que Frankie Knuckles, um dos pais da house music, se apresenta por ali. Além dele, James Murphy, criador da recém-desmontada banda LCD Soundsystem e do selo DFA, um dos nomes mais criativos da música nos últimos 10 anos, toca ali como DJ. Entre os brasileiros, o sempre incrível DJ Marky e o bacana Database.

Domingão (13/11) a noite eletrônica é mais fraca, privilegiando uma house mais almofadinha, com o brasileiro Memê como ponto alto da programação. No pré-feriado, 14 de novembro, o bicho pega com o techno do alemão Sven Väth, famoso por beber e dançar até mais que a plateia em suas apresentações, seguido pelo som empolgante dos alemães Loco Dice e M.A.N.D.Y e pelo inglês - na minha opinião o filé da noite - Damian Lazarus, além do brasileiro Gui Boratto. Vai dar pra dançar até seus ossinhos do pé pedirem socorro.

Goldfrapp no Terra

Já parte do calendário cultural de SP, o festival Planeta Terra (5/11), teve seus ingressos esgotados num piscar de olhos, muito por culpa de fãs das bandas Strokes e Beady Eye, de Liam Gallagher (ex-Oasis). Mas se eu fosse você faria de tudo para não perder o Goldfrapp, pela primeira vez no Brasil. A dupla formada pela esquisitona Alison Goldfrapp e Will Gregory se juntou em Londres, em 2000, e emplacou de cara um disco que abalou as estruturas, o dramático e lindo Felt Mountain. Os anos passaram, Goldfrapp ficou menos triste e mais dançante. Alison, além de grande vocalista, é um espetáculo à parte como performer. Além disso, os shows da dupla sempre enchem os olhos, com apuro visual bacanérrimo. Vi em 2001 em Paris e em 2008 no festival Sónar de Barcelona e recomendo.

Major Lazer no Ultra Music Festival

Ainda não se sabe muito sobre este festival gringo que pretende se estabelecer como o maior de música eletrônica do Brasil. O que sei até agora é que rola em 3/12, em SP, e os artistas que vazaram empolgam: Major Lazer (a dupla fanfarrona formada pelos DJs Switch e Diplo) e o duo Chromeo. Começou bem.

Hercules & Love Affair

Ficou de fora do Rock in Rio? Uma boa pedida é aproveitar pra ver o show que a banda americana Hercules & Love Affair faz em São Paulo, em 1.º/10, no clube Hot Hot. O projeto do DJ e produtor Andy Buttler, que estourou com a música Blind, em 2008, toca em Sampa um dia antes de se apresentar no Rock in Rio. Para quem gosta de som dançante inspirado na disco music é imperdível. Os ingressos custam R$ 80 no primeiro lote, mais informações pelo www.hothotsite.com.br.

O nosso Mika?

Belo lançamento nacional. Saiu esses dias Pure Gold, primeiro disco do músico e produtor Péricles Martins, o Boss in Drama. Todo trabalhado na estética glam dos anos 70 e 80, Péricles poderia passar num resumo rápido como uma espécie de versão tropical e mais eletrônica do Mika. Estiloso, pop, bom de palco, ele desponta como um talento pra se prestar atenção. Destaque para o bem produzido videoclipe de I Don"t Want Your Money Tonight. Lembra a animada house francesa de Stardust e Daft Punk, só que com um tempero brasileiro. Tudo bem produzido e redondo. Para ouvir é só entrar no www.bossindrama.net.

Marcos Valle encaixotado

Músico e compositor do primeiro escalão da MPB, Marcos Valle também agrada a DJs do mundo todo, e não estou falando de festas trash que nutrem carinho especial por seus hits dos anos 80, como Bicicleta ou Estrelar. Uma bela oportunidade de conhecer melhor o trabalho deste músico que foi alçado ao posto de ídolo cult das pistas nos anos 90 - especialmente por DJs ingleses e japoneses - chega agora com a caixa Marcos Valle Tudo. Com produção e curadoria do titã Charles Gavin, a caixa reúne em CD os 10 LPs que ele lançou pela gravadora Odeon entre 1963 e 1974, além de um disco com gravações que estavam perdidas. Em sua carreira, o compositor foi da bossa nova ao pop, flertou com soul, rock e jazz e experimentou teclados eletrônicos. Dica para quem quiser pedir um presente adiantado para o Papai Noel, a caixa sai por R$ 160.

Screamadelica ao vivo

Em meio à moda de executar ao vivo discos clássicos, o Brasil se deu bem e vai ouvir na íntegra um dos álbuns mais importantes da história da música pop dançante. O grupo escocês Primal Scream desembarca no País para apresentar seu discaço Screamadelica, que completa em 2011 20 aninhos e marcou história pela mistura de rock e dance music, até então uma coisa bem abusada. Os shows rolam neste mês no Rio de Janeiro (dia 23, no Circo Voador), em São Paulo (24, no HSBC Brasil, como parte da Popload Gig, do amigo Lúcio Ribeiro) e em Porto Alegre (26, no Opinião). Invista nesse ingresso!

Gui Boratto III

Quando se pensa em música eletrônica feita no Brasil, não dá pra não falar em Gui Boratto. Sim, você já viu o nome dele aqui mesmo nas escalações do Rock in Rio e do SWU. E ele não para. Acaba de lançar seu terceiro álbum, que leva o nome de III. Muito bom por sinal. Vá atrás.

Soul Clap e Art Department

Termino esta lista com dois artistas que não têm saído do meu fone de ouvido este ano. Duas duplas pra acompanhar, não é de hoje: Soul Clap, de Boston (EUA), e Art Department, do Canadá. A coisa melhora ainda mais quando eles fazem um trabalho juntos, como é o caso de We Call Love, que ainda tem participação do chiquérrimo Osunlade. Um dos hits do ano, pode ir atrás.

CLAUDIA ASSEF, 37, É AUTORA DO LIVRO E BLOG TODO DJ JÁ SAMBOU E É DIRETORA DE CONTEÚDO DO PORTAL VIRGULA

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