De Renzis busca anatomia renascentista

Franco de Renzis se diz um artista vinculado à tradição renascentista da escultura, pelo menos no que diz respeito à preocupação com a anatomia humana como princípio fundamental na criação de uma obra. Ele não se incomoda com a extemporaneidade de seu trabalho, figuras, principalmente masculinas, que realiza em cobre. Só que, diferentemente dos renascentistas, para quem o processo de esculpir era sinônimo de retirar matéria, o escultor italiano defende essa arte como a prática de acumular material.Para ele, a arte contemporânea pouco tem a acrescentar à história da arte. Apesar de viver no Brasil há 23 anos, quase não freqüenta o circuito artístico de São Paulo, cidade que escolheu para morar, por considerar os espaços expositivos da cidade "equivocados".Ele também acusa o público brasileiro de não compreender a arte feita antes do impressionismo. Perguntado sobre a razão de viver em um País que lhe parece tão pouco receptivo, ele responde com outra questão: "Quem falou que não estou tentando cair fora daqui?"A saída temporária para De Renzis é mostrar sua produção fora da cidade: sua próxima exposição está prevista para abril, na sede da Secretaria de Cultura de Ilha Bela; a seguinte deve ocorrer no segundo semestre, em Pistoia, próximo a Florença, onde o auto-didata passa seis meses do ano.Além das figuras masculinas, muitas delas em dupla ou em turma, homens muitas vezes reunidos em posição acrobática, De Renzis também é afeito a criar bailarinas. "Na verdade, nunca tive paciência de assistir a um balé inteiro", observa. "Mas o movimento das dançarinas interessa para o meu trabalho."

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2001 | 15h59

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