De protagonista a coadjuvante

Os primeiros projetos não habitacionais de Warchavchick são de 1931, o primeiro para a Sociedade Paulista de Tênis, nunca executado, e a reforma da sede da Associação Paulista de Medicina, no 13.º andar do Edifício Martinelli, que era o arranha-céu mais alto de São Paulo. Por essa época, a atenção do arquiteto estava mais voltada para o Rio, onde construíra a casa do importador William Nordschild, visitada, entre outros grandes nomes da arquitetura, pelo americano Frank Lloyd Wright.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2011 | 00h00

A experiência carioca foi importante para Warchavchik. Dois projetos, segundo o autor do livro, são reveladores do contato do arquiteto com o tipo de arquitetura que seus colegas do Rio desenvolviam: a sede social do Clube Atlético Paulistano (foto abaixo) e o Automóvel Clube de São Paulo, ambos de 1948. O Paulistano, no Jardim América, talvez seja, segundo Lira, o "apogeu do convívio com as lições corbusianas". E também de seu relacionamento com a escola carioca, pois três dos seus colaboradores no projeto eram do Rio. A proximidade com os cariocas resultou positiva para Warchavchik também no campo editorial. Nunca se publicou tanto sobre seu trabalho em revistas especializadas internacionais. Até Philip Johnson encomendou material sobre a casa que o arquiteto projetou para o conde Raul Crespi.

Mas, ao contrário dos arquitetos do Rio, que mantinham estreitos laços com o Estado, Warchavchik, segundo Lira, permaneceu identificado com a figura do arquiteto liberal, sempre em busca de novas soluções formais e um pouco distante de seus pares, que se tornavam apenas pontos de referência. Nos anos 1940, ele parecia menos preocupado em segurar o bastão da modernidade e mais interessado no mercado de construção. Além do uso de pilotis, Warchavchik usou concreto armado na estrutura do Clube Paulistano, considerando os resultados obtidos no Masp por Lina Bo Bardi.

Esse isolamento iria se tornar mais acentuado à medida que os anos passavam. Warchavchik não tomou parte na formação de nenhuma das faculdades autônomas de arquitetura de São Paulo, nem no Mackenzie (1947) nem na USP (a partir da Escola Politécnica, de 1948). O autor do livro lembra que esse isolamento não significou falta de reconhecimento ou instabilidade profissional. Ele continuou a assinar projetos imponentes como o do Edifício Moreira Salles (1951), na Avenida São Luiz, ou o ambicioso conjunto Cícero Prado (1954) na Avenida Rio Branco, no bairro de Campos Elísios, além do ginásio do clube A Hebraica (1955-57). Por essa época Warchavchik não era mais o protagonista da modernidade brasileira. Oscar Niemeyer e Lúcio Costa já dominavam a paisagem e seu papel passou a ser cada vez mais periférico, de acordo com Lira.

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