Daniel Rolland/EFE
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De primeira viagem

Editoras novatas em Frankfurt aproveitam chance de fazer contatos

Maria Fernanda Rodrigues - Enviada Especial / Frankfurt, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2013 | 19h20

Valéria Pergentino queria ter participado da Feira do Livro de Frankfurt no ano passado, mas achava que sua editora Solisluna ainda não estava pronta para se lançar no mercado internacional – não faz muito que ela começou sua distribuição nacional. De Salvador, ela edita livros sobre a cultura afro-brasileira e outros de interesse geral. Este ano, por causa de uma ação especial do projeto Brazilian Publishers, parceria da Câmara Brasileira do Livro com a Apex-Brasil, que não cobrou de 57 editoras que nunca tinham estado no evento o espaço no estande coletivo, Valéria veio.

E ela trouxe uma comitiva de nove pessoas. “Quando souberam que viríamos, alguns autores se animaram e vieram por conta própria”, diz. O governo baiano deu uma força. Por meio do edital Mobilidade Artística, cinco pessoas do grupo receberam R$ 4 mil para as passagens e despesas.

A Solisluna não está a passeio. “Fizemos nossa lição de casa, pesquisando as editoras que queríamos contactar.” Essa foi uma das lições que os editores desse grupo aprenderam nos encontros preparatórios para a feira – um deles dado pela inglesa Lynette Owen, especialista em direitos autorias. Owen orientou, ainda, os editores a traduzirem trechos dos livros que seriam expostos e deixassem nas prateleiras para quem quisesse levar.

 “Participar dos cursos que oferecemos, pagar suas despesas de viagem e fazer relatórios ao final da feira é a contrapartida das editoras que convidamos”, explica Dosh Manzano, gerente do projeto Brazilian Publishers, responsável pelo estande brasileiro de 700 m² – 192 m² pagos pelo Brazilian Publishers e 508 m² por meio de um convênio da CBL com a Fundação Biblioteca Nacional. Ao todo, 168 editoras estão ali.

Os negócios feitos no estande não cobrem os custos, mas esta não é uma preocupação da organização, já que se trata de um investimento para desenvolver o mercado editorial. E muitos editores não têm a pretensão de fazer grandes negócios.

Assim como Valéria, da Solisluna, Mary Lou Paris, da Terceiro Nome, também está na feira a convite. “Vim mais como curiosa, já que o tipo de livro que faço é difícil de ser vendido no exterior por causa dos custos de produção. Mas quem não quer vender?”, questiona. Aproveitou para fazer contatos e conhecer a produção das editoras infantis, segmento no qual mais pretende investir.

 Sintia Mattar, gerente de direitos autorais da Ática e Scipione, concorda que o ganho é institucional e que muitas editoras têm outros desafios antes de ganhar o mundo. “O primeiro é fazer sucesso no Brasil”, conta. “Mas Frankfurt é um grande hub, e é importante, institucionalmente, estar aqui. Sem mencionar os inúmeros contatos que fazemos e que serão retomados na volta para casa ou em outra edição da feira.”

Por muito tempo, a Vergara & Riba foi conhecida como a editora argentina que vendia no Brasil – até porque os contatos estrangeiros eram feitos pela matriz. Mas, em 2012, ela participou pela primeira vez do estande brasileiro. “Foi uma ótima vitrine e, do ano passado para cá, fui mais procurado por editores e agentes”, conta o editor Fabrício Valério.

A novata Solisluna volta para a Bahia animada. “A Rússia se interessou por dois títulos e talvez fechemos uma parceria com a Índia – nós publicamos um título deles e eles publicam um nosso”, comemora Valéria Pergentino.

O estande da Edusp é vizinho ao do Brasil. É a primeira vez que uma editora acadêmica vem com tanta presença – ela montou até um pequeno auditório e trouxe alguns autores da casa, como Nádia Gotlib e Rubens Ricupero. “Vale a pena o investimento. Temos que exportar nosso conhecimento. E, se bobear, fica mais barato do que participar das nossas bienais”, diz Plínio Martins Filho, presidente da Edusp. Além da Edusp, outras editoras universitárias estão no estande do Brasil num espaço próprio.

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