De Portugal, um ídolo pop

David Fonseca quer quebrar barreiras e faz sua estreia no Brasil em outubro

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2011 | 00h00

David Fonseca é um gigante do pop-rock português. Conquistou seu grande público cantando quase exclusivamente em inglês, com exceção de uma canção em quatro álbuns solos, que venderam centenas de milhares de cópias na terra natal. Com o lançamento do título mais recente, Between Waves (Universal), e três shows em outubro - no dia 2 no Palco Sunset do Rock in Rio, no dia 5 no Studio SP e no dia 10 no Opinião em Porto Alegre - ele está disposto a desbravar as terras brasileiras, onde o pop lusitano não tem grande repercussão, estendendo a excursão para outras cidades.

Do que vem de seus conterrâneos, o senso comum ainda só tem ouvidos para o fado por aqui - mas não só no Brasil. "Não existe grande tradição em exportar música pop em Portugal, mas gostaria de quebrar essa barreira e mostrar o quanto diversificado e atual é o momento artístico português", diz David, que tem feito incursões por outros países europeus e Estados Unidos.

Ironicamente, ele, que esteve em São Paulo recentemente para falar de seu trabalho e preparar o terreno, tem mais chance de conquistar os brasucas por cantar em inglês sem sotaque. "As primeiras canções nasceram de uma influência direta dos universos musicais que faziam parte do meu imaginário, quase todas elas vindas dos Estados Unidos e Inglaterra. Bandas como Pixies, Breeders, Grant Lee Buffalo, R.E.M. ocupavam toda a minha atenção e retiravam-me da cidade pequena no centro de Portugal onde nasci, Leiria", conta. "Quando formei a minha primeira banda anos depois, os Silence 4, foram essas canções em inglês que trouxe para o projeto, e continuei a fazê-lo por ser algo que fluía naturalmente."

David é aficionado por cinema e fotografia, sempre quis ser fotógrafo e cria e dirige os próprios videoclipes, mas nunca compôs trilha para nenhum filme. As influências desse gosto estão nas letras das canções, todas escritas a partir de experiências pessoais. "Até arrisco dizer que penso mais em imagens do que noutra coisa qualquer. É recorrente ter imagens específicas quando escrevo as minhas letras e julgo que são elas que muitas vezes me guiam até onde quero chegar."

Sua voz e o estilo de algumas canções têm uma incrível semelhança com Bryan Ferry e Roxy Music. Num de seus álbuns, ele regravou Rocket Man, de Elton John, mas suas influências são outras. "Gosto muito dos Roxy Music, mas também sou extremamente influenciado por cantores mais antigos como o Roy Orbison ou Elvis Presley, talvez por me identificar com uma certa musicalidade solitária que eles representam para mim. A música desse tempo carrega uma certa nostalgia que tem um grande impacto em mim e nas minhas canções, transportando-me para outra era, um lugar abstrato que persigo constantemente", diz.

Frenético. Já Jeff Buckley, que considera um gênio, foi fundamental para ele entender outra forma de fazer música. Além de Pixies e todas as bandas da emblemática gravadora britânica 4AD, hoje são os canadenses do Arcade Fire, a sueca Lykke Li, a "voz soturna de Anna Calvi ou a rudeza de The Kills" que o fazem ouvir música "de forma mais intensa".

Apontado como "o mais frenético músico de Portugal", David costuma fazer quase tudo sozinho em seus discos, tocando todos os vários instrumentos em que extravasa sua habilidade e intensidade, com eventuais colaborações. O palco para ele é um lugar de "loucura e entrega total". No Rock in Rio - em que divide momentos com The Monomes , da Espanha -, vai mostrar canções mais marcantes de sua carreira. Em situações solo, como no Studio SP, terá mais tempo para "canções e momentos diferentes, mas a energia será exatamente a mesma".

Between Waves, de 2009, sai no Brasil no dia 12 de setembro, tendo como bônus exclusivo cinco de seus maiores sucessos: Kiss Me, Oh Kiss Me, Superstars II, Who Are U? , The 80"s e Someone That Cannot Love. "Vejo-o como um disco entre a festa e a ressaca, cheio de momentos intensos e fugazes que consegui agarrar em cada uma das canções."

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