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De portas abertas para os menores filmes do mundo

24º Festival de Curtas de São Paulo começa na quinta e traz o melhor da mais recente safra do formato

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2013 | 02h10

Não é exagero afirmar que com a estreia do 24.º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, na quinta-feira, chegam também os ventos que têm movido os jovens diretores ao redor do mundo. Em seus mais de 400 filmes selecionados (entre mais de três mil inscritos), é possível detectar as questões mais urgentes, e pungentes, do cinema mundial. Como o curta é um formato muito mais simples e barato, é possível filmar rápido, ao mesmo tempo que muitos fatos ocorrem", comenta a diretora do festival, Zita Carvalhosa.

Na safra 2012/2013, esses fatos trazem principalmente duas vertentes distintas, mas ligadas. Enquanto o cinema brasileiro (ao todo, são 58 curtas, selecionados entres 567 inscritos) foca na maioria das vezes as relações humanas, os latinos lançam um olhar bem-humorado sobre a crise atual. Já na Mostra Internacional, o cinema árabe e o africano tratam das questões do feminino e do papel da mulher em sociedades que muitas vezes violentam os seus direitos. Dois exemplos são a coprodução Quênia-Reino Unido Yellow Fever, que trata da autoimagem das africanas, e Onde Fica Meu Pudor, retratando uma garota árabe que se muda para a França para estudar arte.

De volta aos brasileiros, O Pacote, de Rafael Aidar (que integrou a mostra Panorama do último Festival de Berlim), é exemplo do olhar do jovem realizador sobre as relações humanas. O curta aborda com veracidade e sutileza a difícil arte de se relacionar na adolescência, que adquire novos contornos quando o assunto em questão ganha um ingrediente: o amor entre dois garotos quanto um deles tem de lidar também com o convívio com o vírus HIV. "O mundo está mudando e as questões que vão surgindo nas ruas também aparecem nas telas", comenta Zita. "As manifestações que ocorreram no País nos últimos meses ainda não chegam em peso à seleção atual, mas, certamente, vão estar em pauta na próxima edição", completa ela.

Se na tela os protestos brasileiros ainda não chegaram, o mesmo não ocorre na programação de debates. Para discutir as novas formas de retratar a realidade, na sexta, às 18 h, no Museu da Imagem e do Som, ocorre o debate Mídia Ninja. "Eles trabalham com a gente há três anos. Quando nos procuraram, não tinham tanta projeção. Mas já tinham a ideia de fazer essa comunicação audiovisual direta, com a Pós-TV e com o conceito de difundir a informação de forma mais dinâmica e próxima", explica a diretora. "Desde o ano passado, gravam os debates que fazemos diariamente com os realizadores. Essas conversas, além de virarem programas para a Sesc TV, vão ao ar na Pós-TV e no nosso site. Criamos um espaço direto em que os diretores falam de seus filmes", diz Zita. "A comunicação direta é tão atual. Essa é a chance de se discutir novas formas de difusão."

Na contramão da onda digital, cuja tecnologia facilitou a realização do cinema, está a programação Tomada Única, que traz filmes de três minutos realizados em película Super-8 por vários diretores brasileiros. O que parece, a priori, tendência vintage é, na verdade, uma forma de se discutir a arte cinematográfica em tempos de democracia digital. "O Super-8 representou, nos anos 70, o que o digital é hoje. Democratizou a produção, mas ainda era preciso ser artista para fazer um filme. Hoje, qualquer um pode filmar. Então, que ideias e expressões são necessárias para se fazer cinema?", provoca Zita. A discussão é vasta, tanto quanto a programação do festival, que segue até o dia 30 em diversas salas da cidade.

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