De missionário mórmon a 'cônsul'

Ex-diretor da United Press International (UPI) e atual cônsul honorário do Brasil em Salt Lake City, onde nasceu, Gary Neeleman, hoje com 77 anos, chegou ao Brasil aos 20, em 1955. Veio como missionário mórmon. Sem falar uma palavra em português, instalou-se em Ponta Grossa, no Paraná. Lá, decidiu enfrentar o idioma nas ruas. "Aprendi a língua com o povo", garante. Por três anos, peregrinou pelo Sul do País como pregador, morando também em Ipomeia e Videira, em Santa Catarina, e na capital paulista. Em 1957, Neeleman voltou para Salt Lake City. O motivo: uma promessa de união, feita aos 16 anos, à namorada, Rose Maurine. Gary Neeleman era, então, um jovem dividido. "Você vai para o Brasil comigo?", perguntei a ela, recorda Neeleman. Rose: "Agora você está em casa. Por que voltar para o Brasil?", questionou a moça, que nunca tinha viajado de avião. A resposta: "Eu não terminei minha tarefa lá". Hoje, Gary e Rose (foto) são pais de sete filhos, três deles nascidos no Brasil, avós de 34 netos (20 brasileiros) e bisavós de seis crianças, todos com dupla cidadania. Por ironia, diz Rose, um dos filhos, David, criaria uma empresa aérea, a Azul, onde trabalha com o irmão Mark. Com sua experiência no Brasil, Gary acabou incentivado pelo amigo e diplomata Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington, a assumir um cargo como voluntário em sua cidade natal. A comunidade brasileira em Salt Lake City é de cerca de 15 mil pessoas. "Ele me chamou e disse: 'Não há dinheiro. Mas você vai ganhar um brasão, uma bandeira e 10 mil dores de cabeça'", brinca o pesquisador. "Tempos depois o encontrei e falei: a primeira parte era tudo verdade. Mas são muito mais do que dez mil dores de cabeça", diverte-se Neeleman, autor do romance Farewell, My South (Adeus, Meu Sul, Bantan, 1984). O tema do livro: a presença dos ex-confederados no País. / P.P.

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