De Londres a Berlim, obra de Gaspar Gasparian vive processo de resgate

Tate Modern comprou, no final do ano passado, cinco imagens do fotógrafo, que terá obras expostas também em Berlim

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 19h01

Curadores da Tate Modern estiveram em outubro em sua residência, em São Paulo, para escolher cinco fotografias de Gaspar Gasparian (1899-1966) que hoje integram o acervo do museu londrino. Em 2006, outras oito obras do fotógrafo foram adquiridas pela Coleção Ella Cisneros Fontanals, de Miami. Negativos e fotografias das décadas de 1940 e 50 ficaram muitos anos confinados em envelopes até que o empresário Gaspar Gasparian Filho descobrisse que seu pai tinha sido, verdadeiramente, um artista. “Ele era industrial, não divulgava nada do que fazia”, diz o empresário do ramo financeiro.

 

O premiado Gaspar Gasparian, que fotografou dos 40 aos 58 anos, integrou o Foto Cine Clube Bandeirante numa época áurea da fotografia, a chamada Escola Paulista – criou obras de excelência no campo moderno no qual se identifica o trabalho com as formas puras, a geometrização dos motivos e o jogo de luz e sombra, além de ter feito experimentações engendradas por uma vontade pictorialista. Mas, segundo Gaspar Gasparian Filho, seu pai tem ficado em segundo plano quando se trata de fotografia moderna brasileira. “Sempre se fala em Thomaz Farkas, Geraldo de Barros, German Lorca e, às vezes, do (José) Yalenti.” Em uma família de sete irmãos, só ele se interessou pelo legado do pai, conta. “Tinha 16 anos quando ele morreu.”

Em 1988, Gaspar Gasparian Filho bancou a edição do livro Gaspar Gasparian – Um Fotógrafo Paulista (Editora Marca D’Água). Depois do interesse da Coleção Ella Cisneros pela obra de seu pai, o empresário foi atrás de amigos, como os curadores Emanoel Araujo e Nessia Leonzini, para consultar sobre revelação e tiragem das obras. As cópias numeradas das obras de Gaspar Gasparian são realizadas pelo fotógrafo Valdir Cruz em seu estúdio em Nova York. Nos EUA, ainda, são restaurados os negativos do artista – é um investimento próprio.

“Fiz cursos com especialistas em fotografia, como Rubens Fernandes Junior e Simonetta Persichetti”, conta o empresário, que explica em detalhes cada uma das fotografias de seu pai expostas nas paredes. Mais ainda, Gasparian Filho começou a frequentar eventos como a feira Paris Photo e a mostra da Aipad (The Association of International Photography Art Dealers) em Nova York. Na França, conheceu o marchand Eric Franck, cuja galeria funciona em Londres (sua irmã foi casada com o fotógrafo Henri Cartier-Bresson). Figura fundamental na divulgação de Gasparian, Franck passou a representá-lo na Europa – e desde 2012, também, a obra do fotógrafo é comercializada pela Galeria Luciana Brito de São Paulo.

No sábado, será aberta na galeria Kicken, em Berlim, uma mostra com obras do brasileiro. É mais uma conquista, mas é um trabalho lento. Como lembra o empresário, apenas um acervo público brasileiro possui fotografias de Gasparian.

Tudo o que sabemos sobre:
visuaisgaspar gasparianfotografia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.