De Kooning, mestre entre revelações

THE NEW YORK TIMES

Carol Vogel, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

NOVA YORK

A primeira coisa que os visitantes verão na entrada da enorme retrospectiva de Willem de Kooning (1904-1997), no Museu de Arte Moderna, o MoMa, que será aberta hoje, é uma parede coberta de fotografias que registram seis fases da criação do lendário quadro Mulher I (1950-52). John Elderfield, curador emérito da seção de pintura e escultura do museu, disse que escolheu essas imagens como ponto de partida por mostrarem "que De Kooning era um artista em constante processo".

Há seis anos, Elderfield mergulhou na obra do artista que contribuiu para definir o conteúdo da arte do pós-guerra nos EUA. A mostra inclui cerca de 200 obras de quase sete décadas - pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. É também a primeira visão abrangente da sua produção em quase 30 anos.

Talvez pareça improvável, ao investigar a carreira de um mestre como De Kooning, a descoberta de algum aspecto novo, considerando que sua história foi contada tantas vezes, inclusive em uma biografia que ganhou o Prêmio Pulitzer em 2005: sua chegada como clandestino a NY vindo da Holanda, onde nasceu, em 1926; a vida de beberrão inveterado; a primeira mostra individual aos 44 anos; e a chegada da fama. (Os anos de declínio também são conhecidos: nos anos 80, os médicos diagnosticaram a doença dele como demência.)

"Enquanto Pollock, Newman e Rothko, tendo encontrado um estilo próprio, se fixaram nele, De Kooning, quando achava seu estilo pessoal, o abandonava e partia para descobrir outro", afirmou o curador.

Muitos quadros dos anos 40 raramente foram exibidos, entre eles está a série Secretária que, afirma o curador, tem forte influência dos símbolos da estenografia.

Lauren Mahony, a assistente de Elderfield, também fez algumas descobertas lendo artigo sobre o filme Arroz Amargo, de 1949, na Life. De Kooning disse que ele foi sua influência para pintar a tela Escavação (1950). "Mas ele não deve ter visto o filme, lançado nos EUA após a obra ser concluída." Curiosamente, na mesma revista havia um artigo sobre a escavação das estações de metrô de NY, o que sugeriu a Mahony e Elderfield que o artista foi influenciado por aquela edição da revista e não pelo filme. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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