De Carlos para Mario

"Belo Horizonte, 31 de dezembro de 1925 Mário, Minha última carta de 1925 é pra você. Um apertadoabraço com todos os votos que faço a Deus pela tua felicidade noAno Novo. Não sei se isso é passadismo. Sei que é sincero. E comos meus votos vão também os de Dolores. Dei um tiro no meu diploma de farmacopila. Vou serfazendeiro, se Deus quiser. Lugar: Itabira do Mato de Dentro,Minas. É pra lá que você deve me escrever, daqui a um mês maisou menos. Mas espero receber carta de você antes disso, aqui emBelo Horizonte.Parabéns pela resolução de esculhambar com oGraça (Aranha). Era necessário. Todo mundo está aborrecido comele. Minha opinião sobre ele é a mesma que me comunicou oRibeiro Couto: é um burro, com todas as letras. Além do mais,vaidoso, coió, trouxa, como se revelou mais um vez indo à Noitefazer aquela declaração impagável... Em vista do que você me escreveu, desisto de xingar oViriato. Afinal, você tem razão: desde que eles paguem oscinqüenta, vai tudo bem. A sua resposta foi a melhor possível evale pela de nós todas. Estive lendo agora "O Jornal" do dia30 onde tem um artigo do senhor Roberto Sanson que fazreferências veladas ao modernismo brasileiro. O bicho é pacholae escreve difícil e bonito que é uma sem-razão. E até o ano que vem. Com amizade antiga e todo o coraçãodo Carlos."

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