De capitão da Tropa a professor pardal

Wagner Moura está feliz da vida de voltar a fazer comédia. Em conversa com o repórter do Estado, ele conta como é trabalhar com Cláudio Torres, que escreveu o papel do cientista maluco, em O Homem do Futuro, especialmente para ele. E isso aumenta ainda mais a expectativa por Tropa de Elite 2.

Luiz Carlos Merten / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

Como é voltar à comédia?

Ah, é uma delícia. Estou apaixonado pelo Cláudio (Torres). O set dele é levado no maior profissionalismo, mas num clima ameno. E o Cláudio é um cara muito gentil. Motiva a equipe sem estresse. Desde Saneamento Básico que eu não fazia comédia. Estava precisando. Aliás, o Jorge (Furtado, diretor do outro filme) também é muito gentil. Isso transparece nos filmes dele.

Como é fazer três personagens num filme que Cláudio Torres escreveu para você?

É muito confortável, mas os três personagens, na verdade, são um só. Interpreto o mesmo homem em três diferentes momentos. O jovem que ele foi, o adulto amargurado em que se transformou e o canalha que vira ao conseguir mudar seu passado. Mas resisti à tentação de fazer cada um desses personagens diferente do outro. O que me interessou foi dar a unidade, o que eles têm em comum, não de diferente.

Você é papai recente. Como está reagindo a essa distância forçada da família, logo agora?

Olha, se eu estivesse num set mais pesado, fazendo um drama, acho que não resistiria. Sempre que posso, vou ao Rio, mas é um bate e volta. O que me ajuda é o clima ameno deste set e o próprio filme. Desde que li o roteiro, O Homem do Futuro é um filme que quis fazer. Aliás, que estou adorando fazer. Vai ser um filme maneiro, pode escrever.

E o Tropa de Elite 2?

É extraordinário, cara. Passaram-se 15 anos, o meu personagem está mais maduro. Antes ele era impulsivo, agora reflete mais. O próprio (José) Padilha está mais maduro como diretor, filmando muito melhor. Eu acho que o filme vai surpreender bastante.

Mas vocês não sentiram a cobrança de ter de fazer um filme de grande sucesso?

Nunca houve pressão sobre a gente. Havia a expectativa de que surgisse o Tropa 2, mas não fizemos esse filme para os outros. O Zé (Padilha) encontrou um viés para contar essa história de outra maneira, refletindo sobre a violência no Rio. É o que importa. Gosto muito do primeiro filme, mas esse é mais reflexivo. É mais maduro, aguarde.

No intervalo entre os Tropas, você fez Hamlet no teatro. Como avalia a experiência?

Cara, não gosto de dizer que um papel mudou minha vida. Afinal, todo papel é sempre um tijolo numa construção. Mas o Hamlet foi fundamental. Fiz com amigos que admiro, com o (diretor) Aderbal Freire-Filho, a quem respeito. Como processo, foi a coisa mais marcante que já fiz. E o Shakespeare é f..., meu irmão. Todo dia ficar dizendo o texto dele. E não um texto qualquer. Era o Hamlet! Não dá para não se transformar.

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