De arquitetura complexa, Casarão do Chá está ligado a contexto dos anos 30

Depois de 30 anos de abandono, obra que fica em Mogi das Cruzes foi amplamente restaurada

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2014 | 13h00

A história do Casarão do Chá começa com a vinda do engenheiro agrônomo japonês Fukashi Furihata (1891-1971) ao Brasil, em 1922. Alguns anos após sua chegada, o engenheiro comprou a fazenda de 139 alqueires na região de Cocuera, em Mogi das Cruzes, onde implantou o cultivo de chá, frutas e hortaliças.

Em 1929, Kazuo Hanaoka (1899-1950), o mestre carpinteiro, chegaria ao País. Aos 30 anos, ele veio diretamente para as terras de Furihata, pois já tinha trabalhado para a família do engenheiro no Japão. Ao longo da década de 1930, trabalhou como agricultor e construtor em várias localidades paulistas. Em 1941, Furihata, sabendo de sua habilidade, o convidou para trabalhar no seu novo projeto de sua fazenda.

Naquele período, a Inglaterra, por conta da Segunda Guerra Mundial, tinha estancado a exportação de chá preto para o resto do mundo, e Furihata viu uma possibilidade nova de mercado. É preciso lembrar, também, que o Japão, naquele momento, emparelhava forças com a Alemanha na Guerra. Para expandir a produção, o fazendeiro precisava de instalações maiores. Hanaoka foi escalado, com liberdade de criação, para fazer o casarão, que é único por diversas razões.

“Diferentemente do que costumamos ver na arquitetura ocidental, o Casarão do Chá é uma edificação que foi projetada e construída pela mesma pessoa, o arquiteto e carpinteiro Kazuo Hanaoka, que teve a ajuda de três assistentes”, escreve a professora Lucilia Siqueira, doutora em arquitetura.

O chá produzido ali foi batizado como Chá Tokyo, e a fábrica teve um período de grande prosperidade. Mas, ao fim da Segunda Guerra, em 1945, o mercado internacional voltou a se fechar para as aventuras novas, como a brasileira e, em 1958, Furihata arrendou para a família Namie a parte da fazenda que incluía o casarão. A produção seguiu até 1968, quando a fábrica foi fechada e o prédio passou a ser usado como depósito de materiais agrícolas, tratores e arados.

Erguida em eucalipto, com as telhas francesas e esquadrias para janelas, é uma construção híbrida. As paredes são de taipa de mão, mas nos moldes da taipa japonesa. O processo está documentado no casarão restaurado – em uma das paredes, as diferentes camadas da taipa, as misturas de barro e palha e as treliças de bambu estão expostas agora.

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