De afetos e de doces lembranças, álbum já nasceu clássico

Profundamente autobiográfico, o álbum Jataí (lançamento Tratore) encontra seus melhores momentos justamente na memória de Edvaldo Santana. Para a avó, ele compôs Eva Maria dos Anjos, cantada com o elegante apoio da sambista Fabiana Cozza, e o resultado é altamente refinado, clássico. "Não vou dizer que sou santo nem vou falar que não presto/Não vou cultivar desencanto nem me gabar do sucesso/Vou encontrar um atalho e desviar meu destino".

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2011 | 00h00

Edvaldo não se prende a fórmulas, é um artista livre que se dispõe a embarcar de peito aberto nos atalhos da música. "Se o rock and roll já foi blues na encruzilhada/Samba de roda também foi do candomblé", canta, no blues Há Muitas Luas.

O cantor vive no mundo real, não se tornou um desses astros virtuais do star system nacional. "Você tá envenenada pela mina da novela/E pela Cinderela que ainda mora com você/Reclama que cansou de partilhar a mortadela/E que ultimamente nada mais lhe dá prazer", brada, sob o cobertor da guitarra de Luis Waack e o baixo de Paulinho Lepetit.

Jataí, sob sanfona, rabeca, gaita, triângulo e pó de estrada, é Edvaldo levando o ouvinte a um mergulho musical por todo o País, de Caruaru a Porto Alegre. Cronista da vida simples e da sabedoria matuta, Edvaldo enxerga um País sem máscara. E o canta como quase nenhum outro atualmente. "Sem arreio, sem projeto e sem contrato/Vou tirar a viola do saco e cantar pra esse mundão".

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