Das franjas às ombreiras, 'mais era mais'

"Nossa mãe era jeca mas não vendia sanduíche na praia." Assim Odete Roitman (Beatriz Segall) retruca à irmã Celina (Nathália Timberg) e defende Maria de Fátima (Glória Pires) ao saber, momentos antes que seu filho se casasse com a jovem vilã, que foi ela quem virou a cara para a mãe, a honesta, mas cafona, Raquel Accioly (Regina Duarte). Isso quando viu a mãe vendendo sanduíche na praia. Raquel, que vestia um frugal vestidinho florido, com ombreiras, claro, e bolsinha tiracolo, ficou arrasada, bateu na filha quando as duas foram deixadas a sós na antessala do casamento e ainda rasgou o vestido de noiva "todo trabalhado na manga comprida e gola alta". Quando Odete volta à cena, diz: "Estas rendas levaram um mês para ficarem prontas".

Análise: Flávia Guerra, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2010 | 00h00

A cena é antológica não só por ser "reveladora", mas também porque mostra exatamente que o que ditava moda na época era o estilo over. Nos anos 80, "mais era mais". Mais volumes, mais cintura alta, calça bag, mega laços, franjas. A franjinha da jornalista Lídia Brondi (Solange) virou febre nacional. E o chanel clássico super simétrico de Maria de Fátima? Quem era criança nos anos 80 e não viu a mãe desfilar ou de franjinha, ou de chanel em 1988 e 1989? As mais ousadas apostaram no pigmalião de Heleninha Roitman (Renata Sorrah). Com ares de Tina Turner tupiniquim, a cabeleira da artista plástica ganhou versões mais contemporâneas nos últimos anos. O chanel é um clássico, mas a franjinha tem ganhado adeptas e surgido em vilãs contemporâneas. Basta conferir o visual de Melina (Mayana Moura) de Passione. Apesar do corte de Mayana ser inspirado na diva americana Louise Brooks (1906-1985), não há como não se lembrar da fase em que Maria de Fátima também adotou a franjinha angelical. Já no figurino, se um item deve ser lembrado, definitivamente são as ombreiras. Enormes, elas estavam lá, desde o clássico tailleur pérola de linho de Odete (que se espera que nunca mais volte) até os vestidinhos de Raquel, passando pelos ternos de Marco Aurélio (o inescrupuloso Reginaldo Faria, que deu aquela "banana" inesquecível ao Brasil no último capítulo). O que também não deve voltar jamais são as tanguinhas de César Ribeiro (Carlos Alberto Riccelli), aquele que não transava violência, mas adorava uma cuequinha cavadinha.

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