Caroline Bittencourt/ Divulgação
Caroline Bittencourt/ Divulgação

Daryl Hannah brilha no Fórum do SWU

Atriz pediu para pessoas não se acomodarem durante palestra curta no segundo dia de festival

Afra Balazina e Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h00

PAULÍNIA - A atriz americana Daryl Hannah foi a maior estrela ontem no 2.º Fórum Global de Sustentabilidade do SWU. Muito simpática, foi a última a falar e sua mensagem, de cerca de sete minutos, foi de otimismo. Depois de ter sido presa em agosto deste ano ao protestar na frente da Casa Branca contra a construção de um oleoduto, ela defendeu que as pessoas lutem pelo que acreditam e não se acomodem.

 

"Estamos oprimidos por crises, como a acidificação dos oceanos, a superpopulação. Há crises em todos os níveis. Mas há soluções para todas elas", disse. Ela criticou a construção da Hidrelétrica de Belo Monte. A atriz sustenta que a produção de energia renovável de forma descentralizada e em menor escala causa menos impactos e é a ideal.

 

Também deu um recado aos senadores que avaliam a proposta de alterar o Código Florestal. "Ouvi sobre a proposta de alterar a lei ambiental e é assustadora. Sei que é difícil pensar no longo prazo, mas você não precisa ser um neurocirurgião para perceber que não é esperto cortar as árvores da floresta. Precisamos valorizar a floresta apropriadamente", disse Daryl Hannah ao Estado.

 

Discurso. Já ex-senadora e ex-candidata à Presidência Marina Silva fez uma concorrida palestra ontem, por volta do meio-dia.

 

Marina considera que o mundo vive uma de suas maiores crises, "uma crise civilizatória", que se espraia pelas áreas social, ambiental, política, estética e até mesmo de valores. Para ele, o homem terá de integrar economia e ecologia em um mesma equação se quiser que o planeta tenha futuro. Citou Freud ("Não podemos abandonar o princípio da realidade em nome do princípio do prazer") e Edgar Morin ("A intolerância é apenas um desvio") para justificar uma tese que, revelou, elaborou ontem em um quarto de hotel.

 

"Eu pensei: estamos vivendo um momento de democracia prospectiva. Fui até a janela respirar e pensei: meu Deus! Eureca!" Segundo ela, as diversas formas de participação social, das manifestações da Primavera Árabe aos atos dos estudantes na Espanha, demonstram que o antigo sistema político, que se manifestava primeiro nos partidos, nos sindicatos, nos congressos, hoje está começando direto na participação popular.

 

Para Marina, "as bordas estão se movimentando para encapsular o centro", um centro que está estagnado por ter se agarrado a um projeto de poder.

 

Manifesto. Ao abrir a segunda manhã do Fórum de Sustentabilidade do SWU, o idealizador do festival, o publicitário Eduardo Fischer, fez um manifesto contra a reforma do Código Florestal, que no momento está em avaliação no Senado.

 

Fischer disse que seria bom ter um novo código, mas não o que está sendo proposto, porque, segundo ele, é uma ameaça ao futuro. O texto vem sendo alvo de ativistas desde sua proposição. A ação de bancadas como a ruralista também causa apreensão entre ambientalistas. "Só consciência não traz proteção. Se passar o que está aí, vai ficar difícil", disse Fischer.

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