Darín, a cara do cine argentino

Numa recente matéria comemorativa do ciclo Selton Mello - Ator e Diretor, o repórter do Estado disse que Selton, de todos os intérpretes de suas geração, foi o que deu uma cara ao cinema brasileiro da chamada 'retomada'. Isso é tão verdadeiro quanto afirmar que o cinema argentino também tem um ator que lhe deu uma identidade nos últimos anos. A cara do cinema da Argentina é Ricardo Darín.

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h08

Ele prova isso mais uma vez com seu papel em Um Conto Chinês. O longa de Sebastiásn Borensztein começa na China, onde uma vaca cai do espaço justamente sobre o barco em que está um casal, e no momento em que o homem, aparentemente, vai pedir a mulher em casamento.

Tudo isso serás explicado mais tarde, mas, da China, a narrativa salta paras Buenos Aires, onde o chinês do prólogo é recolhido pelo mal-humorado Roberto (Darín). A história que começa como uma fábula ganha outros contornos. Vira uma comédia dramática abordando um tema da maior atualidade - o respeito pelo outro. Apesar das diferenças culturais - e de língua -, Roberto e Jun, o chinês perdido na Argentina, vão se comunicar. O efeito será transformador na vida de Roberto, como se percebe na última cena.

Há um encanto que é muito próprio do cinema argentino. Nove entre dez espectadores brasileiros chegam a dizer que gostariam que o cinema do País fosse como o do vizinho. Histórias de classe média, narradas com simplicidade, com roteiros bem escritos e atores que dão veracidade e solidez aos diálogos. Um Conto Chinês possui todas essas qualidades.

Ricardo Darín é bom. Como sempre, naquele registro de charme viril que lhe é próprio. Mas o encanto do filme também deve a outras duas figuras em cena. Muriel Santa Ana é a mulher com quem que Roberto teme, ou hesita, se comprometer. Ignacio Huang é o imigrante que busca o tio. Ele passa uma dupla sensação de humildade e fragilidade. Numa cena primorosa, vira leão em defesa do amigo. O 'conto' é lindo. Um banho de humanidade de uma cinematografia que não cessa de surpreender. / L.C.M.

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