Daquilo que ele (bem) sabe

Passado intervalo de 11 anos, parceria de Ivan Lins com Vitor Martins é retomada em CD gravado na Holanda

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2010 | 00h00

O vínculo de Ivan Lins com a Holanda começou por influência de um músico de sua banda, o guitarrista uruguaio Leonardo Amuedo. Ele havia morado no país e sabia do interesse que a música de Ivan despertava na terra de Van Gogh. Em 2008, os laços se estreitaram com a gravação ao vivo, com a Metropole Orchestra, do CD que lhe renderia um Grammy Latino. Em seguida, veio outro convite, e mais um CD feito lá, Intimate, que será vendido por aqui e em nossos vizinhos com o título de Íntimo (Som Livre).

 

Para além de reforçar essa ponte Rio-Amsterdã, o novo trabalho, de caráter supranacional, e que sai no Brasil agora em agosto, tem como marca a retomada, passados 11 anos de hiato, da parceria com Vitor Martins, letrista da maior parte dos sucessos dos 40 anos de carreira de Ivan - só para fechar em dez exemplos: Começar de Novo, Lembra de Mim, Novo Tempo, Saindo de Mim, Dinorah, Dinorah, Desesperar Jamais, Vitoriosa, Abre-Alas, Aos Nossos Filhos, Bilhete.

 

 

 

Quatro décadas de profissão. CD tem participação de Jorge Drexler e Alejandron Sanz

 

 

"De 1997 para 98 deixei de ser sócio do Vitor (na gravadora Velas, que a dupla abriu em 91 e que lançou novos e grandes nomes, como Lenine e Guinga), e houve uma certa tristeza", conta Ivan, que se deu conta de que seu prazer estava mesmo em fazer música, e não em pensar no lado comercial, principalmente depois que a gravadora sofreu com o trambique de um contador ladrão. "Perdemos muito dinheiro, milhões, ele mais do que eu. Até hoje não se recuperou."

 

Com o afastamento, Ivan retomou parcerias com Paulo César Pinheiro e Ronaldo Monteiro de Souza (coautor dos clássicos Madalena e Me Deixa em Paz). E enfim chegou a hora do reencontro com Vitor, consolidado em faixas de Íntimo, como Tanto Amor, Arrependimento, Nosso Acalanto, E A Gente Assim Tão Só, Meu Espelho e Crystal Clear.

 

Esta última tem o dedo de Jane Monheit, musa de jazz norte-americana apaixonada por Ivan. "Uma vez fiz seis noites no Blue Note, em Nova York, dois shows por noite, e ela foi aos 12. Até que um dia disse: "Já tô constrangido. Você não quer subir ao palco?"", lembra o músico, que neste CD conta ainda com três participações bem especiais: a do uruguaio Jorge Drexler (parceiro em Diadema), do espanhol Alejandro Sanz (em Llegaste, versão de Vieste), da holandesa Laura Figy (na versão francesa de Bilhete), entre outros nomes de fora. Para quem ainda não sabia, é mais uma pista da grande projeção de Ivan no exterior, iniciada há 30 anos pelas mãos do superprodutor Quincy Jones. Hoje, as turnês pela América do Norte e Europa são anuais. "As viagens cansam... A gente finge que não sente, mas sente", brinca o vovô (de cinco) Ivan, que em junho fez 65 anos - a aparência é de 55 .

 

No Brasil, regravou para os fãs 15 de seus hits, com os arranjos originais, no CD Perfil (Som Livre), parte da festa pelos 40 anos de profissão.

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