Daniel Piza lança livro 'Aforismos Sem Juízo' nesta segunda

Jornalista do 'Estado' autografa, na Livraria da Vila, coletânea com mais de 400 aforismos publicados desde 1996

Francisco Quinteiro Pires, de O Estado de S. Paulo,

10 de novembro de 2008 | 12h11

Além de sem juízo, os aforismos de Daniel Piza são selvagens. "Aforismos são um ataque do pensamento ao que não foi pensado, é preciso ser selvagem", diz Piza, parafraseando o economista John Maynard Keynes. O editor-executivo do Estado vê o aforismo como arma contra verdades estabelecidas. "Ele não é moralista, mas trata da moral, desafiando o status quo." Nessa atividade desde 1996, quando inventou os ‘aforismos sem juízo’, Piza já criou mais de 400, reunidos agora no livro Aforismos Sem Juízo (Bertrand Brasil, 112 págs., R$ 19). Os mais recentes são os publicados aos domingos na coluna Sinopse, do Caderno 2/Cultura. O lançamento é na Livraria da Vila dos Jardins, às 19 horas desta segunda-feira, 10. Aforismos Sem Juízo tem quatro seções - Existência e Moral; Dinheiro e Poder; Amor e Sexo; e Cultura e Saber. As inspirações são variadas - Karl Kraus, Oscar Wilde, H.L. Mencken, Nietzsche, Machado de Assis, Barão de Itararé, Nelson Rodrigues, Millôr. "Não é preciso ser aforista para ter dom do fraseado." O processo de criação de Piza resume-se numa expressão, "queimação de miolos". "O aforismo é o resultado de longa reflexão, é lançar luzes sobre questões que me atormentam." Não é mera frase de efeito, é, o mais das vezes, uma inversão de lugares-comuns. Piza explica que o ponto de partida é o senso comum, enquanto o de chegada é o estremecimento daquilo que se impõe como irreversível. "Aforismos são antiprovérbios." Piza alerta para o perigo de tomar um aforismo como algo absoluto. É só lembrar os gregos, inventores do termo que significa delimitação, distinção. "Tem de ser meio relativista, não é mantra a ser seguido." Ele cita Kraus como aquele que melhor definiu esse relativismo: "O aforismo ou é meia-verdade, ou uma verdade e meia." Não pode ser entendido literalmente - ele se abre a interpretações. Fazer aforismo é destilar opinião, e não palpite. Piza recorre a James Geary para lembrar os cinco atributos do aforismo: breve, definitivo, pessoal, surpreendente e filosófico. Piza acrescenta "a cor local". Ela é o conjunto de reações à cultura brasileira, como o ataque à celebração nacional da ignorância. "Temos mais chance de ser felizes se percebemos que as coisas são sutis e irônicas. Quem não tem informação assimila a primeira que chega." O que começa selvagem termina civilizado.

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