Daniel Filho lança livro em SP

No seu livro de memórias, Antes Que Me Esqueçam, Daniel Filho já havia tratado dos primórdios da televisão no Brasil, recheando suas investigações arqueológicas com fofocas globais e muitas mulheres bonitas. No novo livro, O Circo Eletrônico, Daniel continua contando a história da TV no País, mas é preciso prestar atenção no subtítulo do lançamento da Editora Jorge Zahar - Fazendo TV no Brasil.Ao lado das reflexões sobre as telecomunicações e o resgate de figuras históricas, O Circo Eletrônico é quase um guia prático para principiantes. Daniel ensina tudo sobre o processo prático e criativo de fazer televisão. São dicas sobre textos de novelas e especiais, sobre escolha de elenco, iluminação, figurinos, cenografia. O Circo Eletrônico é fundamental para profissionais da área, para estudantes de comunicação ou qualquer pessoa que pretenda desenvolver uma carreira televisiva. Todos encontrarão motivos de sobra para interessar-se pelas 360 páginas recheadas com mais de 800 imagens. Cinéfilos também vão adorar.Afinal, o cinema faz parte da vida de Daniel Filho. Sempre foi fonte de referência para ele, que participou de filmes importantes (O Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, Os Cafajestes, de Ruy Guerra) e teria permanecido como ator, se o cinema tivesse lhe oferecido a estabilidade de que necessitava nos anos 60. Como o cinema era uma aventura arriscada - de certa forma, ainda é -, Daniel foi fazer televisão, sem desistir da paixão pelos filmes. Agora mesmo, colhe os louros do sucesso de A Partilha, que adaptou da peça de Miguel Falabella.Até terça-feira, A Partilha havia feito 500.485 espectadores no País. A bilheteria cresceu muito no feriadão. Um filme de sucesso, um livro. Daniel lança amanhã O Circo Eletrônico em São Paulo. Entre na fila. Considerando-se o poder de fogo de Daniel, que já foi diretor-geral da Central Globo de Produções e está à frente da Globo Filmes, chiques e famosos vão correr à Saraiva Megastore, do Shopping Eldorado, onde Daniel autografa os exemplares, a partir das 19h30.Um dos capítulos mais interessantes de O Circo Eletrônico revela a paixão do cinéfilo. Daniel acha que o brasileiro tem uma atração pela chanchada e pelo cinema de lágrimas. Identifica em Stella Dallas a matriz do melodrama. Como? Você não viu o filme de King Vidor com Barbara Stanwyck, lançado no Brasil como Mãe Redentora? Bem, você talvez não tenha visto o filme, mas foi submetido ao bombardeio dos seus clones. Segundo Daniel, não há novela sobre mãe sofredora que não pegue carona no cult vidoriano de 1937.Como um dos responsáveis pelo padrão "Globo" de qualidade, Daniel ajudou a criar o gigante das telecomunicações no País. Poder-se-ia cobrar dele um enfoque mais crítico, histórias de bastidores sobre os acordos e negociatas que ajudaram a estabelecer esta potência. Daniel prefere contar histórias de resistência, de como a "Globo", na época mais feroz da ditadura, dava acolhida a comunistas de carteirinha que como atores, escritores e diretores, deram sua contribuição para definir o formato das atrações populares que estabeleceram um padrão na emissora. O manual de auto-ajuda de Daniel deve fazer sucesso entre a concorrência. Ou não? Afinal, o padrão de qualidade não é mais seguido ao pé da letra, nem na "Globo", que ultimamente disputa com o "SBT" para ver quem desce mais baixo para subir alguns pontos no Ibope, no domingo à tarde, por exemplo.O Circo Eletrônico - Fazendo TV no Brasil. De Daniel Filho. Jorge Zahar Editora, 359 páginas, R$ 39,00. Saraiva Mega Store. Avenida Rebouças, 3.970, em São Paulo, tel. (11) 3819-5999. Autógrafos amanhã, a partir das 19h30.

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