Daniel Feingold mostra em obras ansiedade contemporânea

Em sua exposição anterior no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em 2002, o artista Daniel Feingold exibiu pinturas em que as linhas tomavam diversas direções dentro do plano - se sobrepunham como um "estilhaço". As faixas não eram largas e o uso do esmalte sintético, tinta industrial, dava às composições um caráter de algo opaco e imediato, como ele diz. Até mesmo as cores escolhidas, amarelo, vermelho, azul, prata - além do branco e do preto - contribuíam em muito para conferir um caráter de algo que remetia a uma vida numa metrópole como Nova York, industrial e impessoal, onde Feingold vivia havia quase uma década.Mas "pintura é negar, afirmar", como ele diz agora - e, pintura também é velar, como completa. Em sua nova mostra na galeria, Feingold apresenta uma outra "família" de pinturas. Não há nada mais de opaco nelas, nem cores - há branco e um preto único, um marrom Van Dyck -, nem o caráter imediato do esmalte sintético - ele usa agora tinta a óleo. A malha de linhas, está lá novamente, mas as faixas são mais largas e reproduzem um outro "embate" dentro do plano: é um Espaço Empenado, como diz o título da mostra, uma trama de faixas que se torcem, formam transparências. "A trama tem uma tensão armada, ela se fecha e define o espaço da pintura, é uma construção pela luz, sombra e linhas", afirma. As composições representam algo da "ansiedade da cultura contemporânea", como diz ele citando idéia do crítico de arquitetura americano Anthony Vidler. Daniel Feingold. Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Rua Artur de Azevedo, 401, 3083-6322. 2.ª a 6.ª, 10 h às 19 h (sáb. 11 h às 14 h). Até 22/7

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