Daniel de Oliveira, o mocinho de Cobras & Lagartos

Daniel de Oliveira é mais conhecido pelo filme Cazuza - O Tempo Não Pára do que pelos papéis que interpretou na TV. Nas ruas, ele é Cazuza. Para o ator mineiro de fala mansa, cinema é a prioridade, mas quando pinta convite para a telinha, pensa: "Vambora que TV também é bom!" Em Cobras & Lagartos, ele vive o galã moderno Duda e, nos cinemas, espera a estréia de três filmes - Zuzu Angel, Batismo de Sangue e o curta-metragem 14 Bis. As pessoas ainda te associam muito ao Cazuza? Totalmente... Ando na rua e não sou eu, não sou ninguém, só o Cazuza. Principalmente a galera que viveu os anos 80 ou os mais jovens, que conheceram Cazuza no filme. Os mais velhos, que não assistiram ao filme, me reconhecem muito como o Luís Jerônimo, de Cabocla. Isso te irrita? Não irrita não... Nada, nada. É até bom porque sei que é uma forma de reconhecimento. É sinal de que as pessoas viram e identificaram. Sei que não estou sendo ridicularizado. Você começou a carreira em Malhação? Malhação foi meu primeiro trabalho no Rio, mas, na verdade, comecei em Belo Horizonte, fazendo teatro e publicidade. Vim para o Rio para fazer Brida (novela inacabada da Manchete) e fiquei meio assim quando não deu certo. A sorte é que coincidiu com um convite para o longa O Circo das Qualidades Humanas e depois apareceu Malhação. E chegou a fazer baile de debutante? Já fiz sim, nessa época de Malhação. Fiz uns três e só não fiz mais porque estava ensaiando uma peça e não tinha tempo. Nunca me preocupei com isso de fazer baile porque sempre pensei que conseguiria ir por outro caminho... Você tem uma banda? Tinha uma banda no Rio, com uma galera de BH e uma galera do Rio mesmo. Mas aí eu estava sem tempo e um outro cara de BH estava com filho e também não tinha tempo. Então terminamos e depois vamos ver qual é. Quero ver qual é, mas tem que ser compatível com o meu tempo. Mas em Cazuza você teve sua chance de soltar a voz... Sim. Para o filme tive que fazer aulas de canto e foi legal porque a banda serviu para o filme e o filme serviu para a banda. Já tinha feito aula de canto antes e fiquei um ano e meio para preparar o personagem. Todo mundo devia fazer aula de canto, até para relaxar. Você chega lá e dá uns gritos. É muito bom. Em Cobras & Lagartos você será novamente mocinho. Você acha que tem cara de bom-moço? Em Hoje É Dia de Maria fiz um palhaço que, como todos, carregava a alegria e a tragédia. Ele queria o amor de Maria e ficou endiabrado. Ele foi um vilão que teve sua redenção. Acho que o fato de sempre ser mocinho é circunstancial. Não há cara de vilão e cara de mocinho. Há estereótipos que a TV cria, mas como ator, não há como se conformar com isso. É questão de oportunidades. Você não aparece muito em publicidade porque não surgem convites ou porque você não gosta? Não pinta convite não. Fico aqui, na minha, e se chamarem, beleza. Mas isso é muito delicado e tem que ter cuidado porque você não pode meter a cara em qualquer coisa ou em coisas que você nunca ouviu falar. E também tem a questão do tempo. Eu vou bem devagar. Você é sempre tão calmo, tranqüilo e paciente? Graças a Deus porque senão estava f... Tenho momentos de impaciência - às vezes sou impaciente de arrancar os cabelos -, mas estou aprendendo que isso não leva a lugar nenhum. Você tem algum preconceito em relação a esse rótulo de galã? Não tenho nada contra. Agora estou trabalhando com um cara que já foi um dos maiores galãs do Brasil, o Francisco Cuoco. Como posso ter preconceito? Ele é um figuraça e temos uma ligação direta, sabe? Vamos sempre improvisando e só paramos quando o diretor grita: "Corta". Não sou galã... Pelo menos não me vejo como tal. Tudo bem, o protagonista sempre é galã, mas não me vejo assim. Você disse em entrevista que gostou do lado músico de seu personagem... Sim, tem uma parte musical com sax, clarinete e gaita. Estou fazendo aula de sax e estou descobrindo o instrumento. Arranhava violão e tocava gaita mal. Agora quero me dedicar ao sax. Estou curtindo e vou continuar as aulas mesmo depois de a novela terminar. E você também fez aulas para ser um motoboy?Fiz aulas solitariamente. Foi uma coincidência engraçada porque comprei uma moto e, depois de uma semana que tirei a carteira, o Wolf (Maya) me chamou. E os motoboys estão aí. Há uns loucos que saem por aí arrancando retrovisores, mas há uns que querem trabalhar. E estou agora defendendo essa raça.

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