Daniel Dantas encara medo de Macbeth

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2010 | 00h00

Macbeth. Casal tomado pelo envenenamento moral. Foto: Chico Lima/Divulgação

 

Macbeth assombrava Daniel Dantas. Lá se vão mais de 35 anos desde que o ator sentiu pela primeira vez o rei sanguinário em seu encalço, a rodear-lhe. Nos remotos tempos do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, chegou a interpretar Ubu Rei, uma versão do texto de William Shakespeare.

Depois, ensaiou uma peça que nunca estreou, flertou com o personagem até na televisão, mas só recentemente teve ímpetos de encarar a perseguição e levá-la, enfim, ao palco.

É o resultado desse embate que o público paulistano poderá ver, em curta temporada, a partir de sexta, no Sesc Pinheiros. Acompanhado por Renata Sorrah, no papel de Lady Macbeth, Dantas lança-se no universo de envenenamento moral e assassinatos da tragédia. Quem conduz a dupla, e outros dez atores em cena, é Aderbal Freire-Filho.

Pouco mais de um ano depois de dirigir Wagner Moura, em Hamlet, o encenador torna a visitar o teatro de Shakespeare. "É um privilégio viajar por esses labirintos quase simultaneamente", comenta Aderbal. "Fiz um percurso no Hamlet, que me fez chegar ao Macbeth conhecendo muito mais desse território extraordinário de Shakespeare."

A história das feiticeiras que despertam o mal que havia na alma do nobre Macbeth, incitando-lhe a cobiçar a coroa do rei da Escócia é reverenciada por muitos como a mais concisa e melhor das obras do bardo.

Por trilha semelhante segue Dantas, que também aponta a primazia da atmosfera dramática da rede de crimes conduzidos pelo casal. "O Hamlet é o melhor personagem, mas acho que esse é o melhor texto de teatro já escrito", diz o ator. "E é também o que mais me transformou. É importante saber que não estamos distantes assim das coisas terríveis que eles são capazes de fazer. Na prática, eles são monstros, mas são também humanos como todos nós."

Mesmo tomada pela ambição desmedida, Lady Macbeth hesita, sofre, enlouquece. Retirar qualquer traço de maniqueísmo na construção dos personagens foi uma das diretrizes da montagem. Além disso, Aderbal também optou por uma linguagem distante de rebuscamentos. "Não diria que é uma encenação moderna, mas viva", ele afirma.

Traduzido pelo diretor, em parceria com João Dantas, a partir do original, o texto tenta soar natural. "Queríamos uma tradução fiel, mas também clara, Shakespeare escreveu um teatro livre, para que todos pudessem entender."

 

MACBETH

Sesc Pinheiros. Teatro Paulo Autran (1.010 lugares). Rua Paes Leme, 195, metrô Faria Lima, telefone: 3095-9400. 6ª e sáb., 21h; dom., 18h. R$ 5/ R$ 20. Até 18/7.

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