Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Daniel Buren expõe obra na Monumenta

Proposta do artista francês é uma viagem pelas cores e formas de 'Excentrique(s), travail in situ'

FLAVIA GUERRA - O Estado de S.Paulo ,

26 de junho de 2012 | 03h09

PARIS - Imensos círculos de plástico, que se espalham pelo Grand Palais de Paris em cores laranja, azul, verde e amarelo, formando feixes que mudam de posição, intensidade e tamanho dependendo da luz, da hora do dia ou da noite. Para aumentar a experiência sensorial, espelhos circulares no chão refletem o teto do Palácio, também colorido entre azul e branco, refletido entre o céu de Paris e os círculos coloridos.

Algum cenário de uma rave europeia abrindo o verão? Sim e não. Não porque se trata da 5ª Monumenta, que desde 2007 traz a cada ano um nome das artes plásticas para ocupar o Grand Palais. Neste ano, foi a vez do francês Daniel Buren propor uma viagem pelas cores e formas de Excentrique(s), travail in situ. E sim porque neste, que é um dos edifícios mais monumentais da capital francesa, a Monumenta vem se revelando um dos pontos altos do calendário cultural da Europa e foi palco da Fête de la Musique na última quinta, abrindo oficialmente o verão parisiense.

Em 2011 foi a vez de Anish Kapoor levar seu Leviathan. Neste ano, Buren ocupou o espaço construído originalmente para abrigar a World Fair de 1900. "Este trabalho foi feito especialmente para captar a luz e torná-la visível. O uso da cor é que torna a luz, que entra pela abóbada do Grand Palais, visível", comentou o designer francês que ganhou fama mundial ao ocupar, em 1986, o pátio do Palais Royal, em Paris: com suas Colunas de Buren (ou Les Deux Plateaux). Com essa escultura de 3 mil m², que se espalhavam pelo espaço em colunas listradas de vários tamanhos, Buren questionava a interação entre arte contemporânea e prédios históricos. As mesmas listras sustentam os círculos suspensos do Grand Palais e formam uma floresta quando se olha em linha reta, e não para cima, como manda a tentação do olhar, que se maravilha com a arquitetura do Grand Palais. É exatamente do contraste entre as formas circulares e a dimensão do palácio de 13,5 mil metros quadrados e 35 metros de altura que surgiu um dos maiores desafios do artista. "A posição baixa dos círculos proporciona a experiência da escala em um espaço em que, por sua proporção gigante, faz com que percamos a noção espacial", comentou Buren, que baseou a altura de seus toldos coloridos pela altura dos tetos das casas parisienses.

A experiência foi tamanha que o cenário foi escolhido para ser sede da Fête de la Musique. Milhares de pessoas vestiram branco para refletir literalmente a obra de um dos mais criativos nomes da arte contemporânea. Os DJs Jamie XX, Caribou e Four Tet animaram um público jovem em busca da integração sensorial entre as artes. E é exatamente esta contaminação que sempre buscou Buren. No próximo ano, a Monumenta deve levar uma mulher a expor no Grand Palais e as cores de Buren devem viajar pelo mundo.

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