"Dançando em Lúnassa" mostra influência de Chekhov

A peça Dançando em Lúnassa, do irlandês Brian Friel, que estréia hoje no Centro Cultural São Paulo, conta com elenco de atores formados pela Unicamp, Idart e pelo Centro de Pesquisa Teatral (CPT-Sesc). A trama ganhou as telas em 1998, sob direção de Pat O´ Connor, com Meryl Streep no elenco e o título Dança das Paixões. "Friel é atualmente um dos diretores mais importantes da Irlanda. Suas peças foram traduzidas em diversos idiomas e a mais recente estreou em Dublin, ano passado", diz Domingo Nunez, que além de dirigir é o tradutor da peça.A obra aborda o cotidiano de cinco irmãs que vivem no vilarejo de Ballybeg, nome fictício que em idioma gaélico significa pequena cidade. As cinco são solteiras e vivem numa casa de campo, envolvidas com afazeres que vão desde criar galinhas a fazer tricô para ajudar no magro orçamento. A influência de Chekhov (Friel traduziu e adaptou As Três Irmãs e Tio Vânia) se faz notar nessa peça, onde aparentemente pouco acontece. Nada de grandes ações; importantes são as pequenas transformações nos sentimentos das personagens; suas frustrações e seus sonhos, represados pelo ambiente tacanho em que vivem. A mais velha, Kate (Silvia Jatobá) é professora primária, única a ter renda fixa. Sentindo-se responsável pela casa, acaba sendo também a mais reprimida. Descontraída, capaz de dançar e cantar, Maggie (Márcia Nunes) é considerada a palhaça da família. Agnes (Cristiana Gimenes), mais silenciosa, guarda frustrações que serão percebidas pelo público ao longo da peça. Rose (Sidnéia Tavares) aparenta ter problemas mentais, em sua alegria infantilizada. A mais nova, Christina (Marília Moreira), é a mãe solteira da família. Seu filho (Júlio Pompeo) é o narrador da história, que se passa num único dia, no primeiro momento, e três semanas depois desse dia. O núcleo conta ainda com a visita esporádica - porém mobilizadora - do pai do garoto, um aventureiro sem emprego fixo (Walter Granieri), porém de bem com a vida, cheio de sensualidade e alegria. No momento em que o autor as flagra, dois acontecimentos contribuíram para mudar a rotina da casa. O primeiro deles, a chegada de um rádio. O segundo, que terá maiores conseqüências, a volta do irmão mais velho, um padre missionário (Eduardo Parisi) que havia passado muitos anos na África. "De alguma forma, esse irmão dava a elas algum status no vilarejo." Mas ele volta doente do corpo e, na visão da cidade, também do espírito. Além da malária, ele traz da África o respeito, e até a admiração, por rituais religiosos ´pagãos´. "É uma peça sobre relações, sobre a busca do que é essencial ao ser humano."Dançando em Lúnassa - Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho. Rua Vergueiro, 1.000. 3277-3611, metrô Vergueiro. Terça a quinta, 21 horas. R$ 12. Amanhã, R$ 12. Até 7/10.

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