Dança vai ganhar palco próprio em SP

Na festa com a qual o Cisne Negro iniciou a comemoração dos seus 25 anos, domingo, na Sala São Paulo, quem ganhou o presente foi a dança. No seu discurso em homenagem à companhia que lhe tem na conta de anjo da guarda, o secretário do Estado da Cultura, Marcos Mendonça, anunciou que ainda antes do final do semestre aquele mesmo espaço da Estação Júlio Prestes onde ocorria o brunch do Cisne Negro estará sendo inaugurado, totalmente reformado, para funcionar como o Teatro da Dança de São Paulo."Ao lado do templo da música que aqui funciona (referia-se à Sala São Paulo), teremos agora também o templo da dança, com a possibilidade, até mesmo, de que as duas artes tenham espetáculos ocorrendo simultaneamente neste espaço", declarou.Uma parte da infra-estrutura já está pronta. "Construímos camarins coletivos e individuais que podem abrigar até 60 bailarinos, inclusive para aquecimento antes do espetáculo." Quanto à sala propriamente dita, afirma que o projeto já foi aprovado. "O ar condicionado já está até funcionando."No seu discurso, o secretário fez questão de sublinhar a importância que os apelos e queixas de Hulda Bittencourt, diretora do Cisne Negro, durante todos os anos das suas duas gestões à frente da secretaria, tiveram nessa sua decisão. "A dança deixará de preencher os espaços vagos das pautas dos teatros porque terá uma sede própria."A sua fala foi saudada por longos e calorosos aplausos. Não é para menos. Acostumada a ser quase ignorada pelas políticas culturais em vigor, a classe vem se surpreendendo com acenos mais recentes que indicam uma mudança no habitual descaso com que vem sendo tratada. A divulgação de que o ex-prédio da Universidade Livre de Música terá cinco dos seus seis andares ocupados pela dança se soma à desse novo teatro de dança.O local passará a abrigar o futuro Centro Paulista de Dança em três dos seus andares, os projetos sociais do Ballet Stagium e do Cisne Negro em dois outros andares e o Departamento de Formação Cultural, dirigido por Antonio Carlos de Moares Sartini, em outro.Os ventos são novos e soprando mais democráticos, ao que tudo indica. No âmbito estadual, o Centro Paulista de Dança, dirigido por Cássia Navas, iniciou a sua estruturação formando uma comissão. Participam dela universidades (Chistine Greiner, pela PUC; Ana Terra, pela Anhembi Morumbi; Graziela Rodrigues, pela Unicamp), o Sesc (Rosana Cunha), o Sindidança (Maria Pia Finocchio), a Escola Municipal de Bailados (Esmeralda Gazal) e a Funarte (Marcos Teixeira). A iniciativa em reunir instituições para a discussão de um projeto em vez de iniciar a sua ocupação apenas a partir de idéias próprias deve ser louvada.Curiosamente, o mesmo tipo de entendimento de administração pública parece estar florescendo também no Centro Cultural São Paulo. Sabe-se que a nova administração municipal dedicou todos os seus teatros de bairro às companhias de teatro, sem abrigar neles a dança. Todavia, por iniciativa do diretor do CCSP, Carlos Augusto Calil, foi reunida uma comissão para elaborar um projeto para a ocupação do Centro Cultural São Paulo com dança. Trata-se de iniciativa que recebeu adesão de Sônia Sobral (Itaú Cultural), Tica Lemos (Estúdio Nova Dança), Angela Nolfi (Unicamp), Cassia Navas (Rede Stagium) e Ana Francisca Ponzio (jornalista), entre outros.Cariocas - Quem sabe as nossas Secretarias da Cultura, tanto a do Estado quanto a do município, tenham decidido acabar com o sentimento de inferioridade que a classe de dança vinha cultivando em face de seus vizinhos cariocas, que viram a sua dança florescer em anos recentes, justamente por conta das políticas culturais lá implementadas.

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