Dança tem agenda cheia no fim de semana

Este fim de semana será recheado deatrações, principalmente para a dança. A 2.ª MostraInternacional do Sesc continua a todo o vapor. Amanhã, amaratona começa às 10 horas com o pessoal do Balangandança noSesc Interlagos e encerra às 23 horas, com a Cia. de Dança Burra, no Teatro Pompéia.O destaque desta noite é Boris Charmatz e DimitriChamblas com a coreografia A Bras Le Corps. Charmatz éconsiderado um artista de vanguarda e ao lado de Chamblas,desenvolve pesquisa que visa a explorar as fronteiras da dança.A Bras Le Corps é um trabalho que aborda a trajetória dedois homens com suas experiências afetivas e profissionais. Oespetáculo poderá ser visto às 21h30, no Teatro do SescBelenzinho.No mesmo horário, o Cena 11 apresenta Violência, noVila Mariana. A peça, que estreou neste mesmo espaço, leva aopalco uma série de adereços que se misturam ao cenário e àiluminação. Os bailarinos usam pernas-de-pau e as projeções, umamarca da companhia, e a música são tratadas como um show àparte.Para encerrar a noite, Marcelo Gabriel, à frente daCompanhia de Dança Burra, apresenta O Útero Cromosserial."Essa peça dá seqüência a uma tetralogia, Danças do Abismo,que comecei a pesquisar em 1997, cujo eixo central é a questãoda violência", comenta o criador. "Investigo a memória e osarquétipos do homem contemporâneo."Em Útero, Marcelo Gabriel volta sua atenção para acultura indígena. "Procuro mostrar toda a discriminação epreconceitos que os índios sofrem diariamente em toda aAmérica", diz. Por meio do teatro físico, o diretor e criadortrata da banalização dos valores humanos e culturais e aimposição de hábitos ocidentais aos índios, que perdem seustraços. "Utilizo a idéia de útero por causa da relação com areprodução. A sociedade contemporânea produz em série, não prezao meio ambiente, o ser humano, acabando com o potencial criativoe com a sensibilidade das pessoas", afirma.Marcelo Gabriel realizou uma pesquisa de campo. Conviveucom as tribos para apreender rituais, hábitos, costumes."Consegui mudar a minha maneira de interpretar esses povos, oque interferiu diretamente no trabalho", conta. "Utilizeielementos de ritos xamânicos para compor o espetáculo.Interpreto um xamã que carrega consigo as doenças do homemcivilizado", explica.No sábado, além de uma nova apresentação de BorisCharmatz, o destaque fica com a Cia. Oito Nova Dança, comModos de Ver, no Teatro Consolação, e Joaquim Maria, deMárcia Milhazes, no Teatro Municipal de São Caetano do Sul. ACia. Oito mostra a vida dos moradores da Ilha do Cardoso eMárcia traz à tona o universo de Machado de Assis. "Não queroretratar a obra de Machado, ela é minha inspiração paraconstruir a minha coreografia", observa.O tema parece simples: o relacionamento entre um homem euma mulher. No entanto, Márcia parte das característicasemocionais para criar todo o gestual do espetáculo. "Investigoas particularidades de cada um, o interior dos personagens, oque dificulta o processo de criação." A coreógrafa fez umlevantamento das músicas ibéricas, mais especificamente asportuguesas, da Idade Média às tradicionais para utilizar comotrilha sonora do espetáculo.Boriz Charmatz volta à cena no domingo com Aatt enentionon, no Ipiranga. A coreografia faz uma crítica aomecanicismo e à monotonia presente na vida das pessoas. Durantea semana destacam-se Retrospective, de Denise Namura eMichael Bugdanh, Mazy, da Cie. Willi Dorner, Mc14/22/Annouciation, do Ballet Prejocaj, e Mono Subjects,de Thomas Lehmen.Serviço Mostra Internaconal Sesc de Dança. R$ 10,00 (unitário),R$ 7,00 (p/ 4 ou 7 espetáculos) e R$ 5,00 (8 ou mais).Informações: 0800-118220 ou www.sescsp.com.br.Até 1.º/11.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.