Dança pura vem da interação

Eric Landowski dirige pesquisas no CNRS, o Centro Nacional de Pesquisa Científica (Centre National de la Reserche Scientifique) desde 1975, onde desenvolve o que chama de "uma semiótica viva", fruto do seu interesse em não pertencer ao campo da semiótica da qual se fala tão mal. Ele diz que a semiótica é como a lua, pois também tem uma outra face, pouco conhecida, mas com coisas interessantes. Essa outra semiótica é viva e compreensível, interessada nos comportamentos e não só nos discursos.

Helena Katz, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2010 | 00h00

Há cerca de 20 anos vem ao Brasil como professor visitante da PUC-SP. Desta vez, é convidado do fórum que reúne os 14 Programas de Pós-Graduação em Comunicação do Estado de São Paulo para a sua aula magna, que ocorreu ontem na Unip, com o tema: O sujeito na era do contágio: da prevenção do risco à programação do social. Propôs que o processo de comunicação de um sujeito se transforme o estado de um outro e que essa interação não deve ignorar a dimensão do risco e do incontrolável.

Em entrevista ao Estado, no bairro de Perdizes, enquanto fumava o cachimbo que já faz parte de seu corpo, contou que o que o move é compreender como o sentido emerge em processos de interação: "A vida não pode ser limitada à execução de programas fixados. É preciso buscar acordos entre sujeitos conscientes de seus quereres, e que compreendem que a sua subjetividade se desenvolve pela subjetividade do outro. Isso vai determinar uma visão diversa da vida, na qual o objetivo não mais será dominar, mas desenvolver ajustamentos das sensibilidades."

Nesse ajustamento que deve ser procurado está também a nossa relação com a natureza. "Em vez de explorar o universo, trocar o modelo manipulatório tradicional pelo da dança mundana, na qual é o contínuo ajustar de um ao outro que vai criando um sentido, porque na dança, a interação se alicerça sobre a sensibilidade recíproca."

Para Landowski, a política passa pelos afetos e não exclui o acaso. E que não se reduz ao tipo de racionalidade do homo politicus, consciente somente de si mesmo, e tampouco ao homo economicus que vive medindo tudo. "Será que vamos continuar com o projeto dessa razão manipulatória que nega o outro?"

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