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Dança das artes

Evento traz grandes cias. estrangeiras que misturam cinema, mágica e teatro à dança

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2013 | 02h07

O ano começa nesta quarta-feira. Ao menos na área da dança, parece ser o 1º de maio o ponto inicial da temporada 2013. Com uma invejável seleta de companhias internacionais, o Festival O Boticário na Dança abre sua primeira edição. O evento também chega com a pretensão de adquirir dimensão nacional: depois de São Paulo, a programação passa pelo Rio e Curitiba.

Será possível conferir - em alguns casos pela primeira vez no País - conjuntos como The Hofesh Shechter, talvez a mais importante cia. britânica da atualidade, e Shen Wei DanceArts, uma destacada representante da dança nos EUA. Também estão na lista o Ballet de Maribor, da Eslovênia, a Peeping Tom, da Bélgica, além dos sempre reverenciados brasileiros da Quasar Cia. de Dança.

Com caminhos artísticos diferentes, esses grupos aparentemente estão conectados por um traço comum: são todos protagonistas nos caminhos artísticos que escolheram e, invariavelmente, buscam intersecções da dança com outras linguagens. "A dança tem relações muito avançadas e interessantes com a música, as artes plásticas, as novas tecnologias, o teatro, a acrobacia e o esporte", argumenta o curador, o alemão Dieter Jaenicke.

O componente interdisciplinar é tão forte em algumas coreografias, que pode até ser fora dos domínios da dança que um criador começa a construir a sua obra. A belga Peeping Tom costuma erguer suas criações a partir de um dado tradicionalmente pouco relevante em coreografias: o cenário. "A primeira coisa que fizemos foi a cenografia. Era importante estar dentro da atmosfera onde essa história acontece", conta Gabriela Carrizo, diretora artística da cia., que conversou com o Estado de Bruxelas.

Gabriela fala em "história" porque essa é outra particularidade da companhia: a dramaturgia tem lugar de destaque em seus títulos. Em 32 Rue Vandenbranden, obra que eles encenam aqui, cada intérprete criou o seu próprio personagem, que tem características definidas e diálogos em cena. Acompanhamos a rotina de um vilarejo distante e frio. Lá, seis moradores têm sua rotina pacata alterada pela chegada de dois forasteiros. "É uma atmosfera de isolamento, algo sombria e gélida", resume Maria Carolina Vieira, única brasileira a integrar o elenco.

O trabalho mistura ainda mágica e acrobacia. E é, segundo sua diretora, fortemente cinematográfico: "Criamos um efeito que se parece com um zoom, algo que geralmente não se pode fazer no teatro. Também tentamos mostrar o que vai dentro da cabeça das personagens." Assim como acontece com a Peeping Tom, os norte-americanos da Shen Wei também nutrem particular interesse pela forma visual que adquirem no palco. "É como um trabalho de arquiteto, criando espaços com as luzes, o som e coreografia", define o curador.

Além de multidisciplinar, também não se pode esquecer que a companhia é multicultural desde sua origem. Seu criador é um coreógrafo chinês radicado em Nova York. Lá, tornou-se conhecido pelo impacto visual de seus espetáculos e pela maneira peculiar com a qual alia elementos do Ocidente e do Oriente. "Criei o meu vocabulário a partir da minha experiência com a ópera chinesa tradicional e com as modernas teorias ocidentais sobre dança. Dessa forma, Ocidente e Oriente estão em constante diálogo, produzindo algo diferente de cada uma dessas partes", diz o coreógrafo.

No Brasil, ele vai apresentar Rites of Spring, calcado na Sagração da Primavera, balé musical de Stravinski, e Folding. Não são as obras mais recentes da cia. - ambas estão no repertório há mais de dez anos. "Mas são suas obras-primas", diz Dieter Jaenicke.

Todo o clima de contemplação e beleza apolínea que marcam os trabalhos da Shen Wei e da Peeping Tom se esvanece quando se trata da britânica The Hofesh Shechter Company. Em Political Mother, a música é pesada e entra ao vivo, como se assistíssemos a um show de heavy metal.

"Geralmente crio música e coreografias juntas", comenta Shechter, diretor artístico do grupo. Existe ainda umadinâmica tal, que faz "todos os bailarinos parecerem superatletas", sintetiza o curador.

FESTIVAL O BOTICÁRIO NA DANÇA

Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Alvares Cabral, s/nº.

R$ 20. De 4ª a 2ª, às 21h. Estreia quarta-feira. Até dia 6/5.

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