Dança criada na favela chega ao palco

O Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, receberá amanhã e quarta-feira a 1.ª Mostra BNDES Arte em Ação Social. A coordenação artística do evento ficou por conta da diretora do Panorama Rio Arte de Dança, Lia Rodrigues. No programa haverá uma participação especial do Balé Stagium.O objetivo dessa mostra é promover e divulgar projetos que trabalham com crianças e adolescentes para a formação da cidadania por meio da arte e da cultura. Esse é um desdobramento do Programa de Apoio a Crianças e Jovens em Situação de Risco Social, conduzido pela Área de Desenvolvimento Social do BNDES. Essa experiência do banco foi reunida em um livro que será lançado na terça-feira.As atividades artísticas, principalmente a dança, foram desenvolvidas especialmente com jovens vindos de famílias de baixa renda e que moram em regiões carentes. A idéia do projeto é que, por meio da arte, essas pessoas possam desenvolver aptidões e potencialidades, construir a identidade individual e coletiva, além de fortalecer e, muitas vezes, restabelecer, a auto-estima.A mostra reúne quatro experiências que estão de acordo com a proposta do banco, como os grupos Edisca, Projeto Luar, Dançando para Não Dançar e Cia. Étnica de Dança e Teatro. Para encerrar a programação, haverá uma apresentação especial do Balé Stagium.O grupo Edisca - Escola de Dança e Integração Social para Criança e Adolescente - , de Fortaleza, abre a programação com a coreografia Duas Estações, de Dora Andrade e Gilano Andrade. A coreografia fala sobre a dualidade entre o mundo espiritual e material. O cenário é o Nordeste e o foco do espetáculo está na cultura local. A concepção desse trabalho está ligada ao realismo fantástico e ao surrealismo.Na quarta-feira Dançando para Não Dançar leva ao palco o balé de Petipa com o espetáculo Paquita. Desde 1993 a associação ensina crianças de 5 a 14 anos o balé clássico nas sete maiores favelas do Rio: Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Rocinha, Mangueira, Chapéu Mangueira, Babilônia e Morro dos Macacos. O projeto conta com profissionais de serviço social, psicologia, medicina, odontologia e professores de balé sob a coordenação da sua idealizadora, a bailarina Thereza Aguilar.O Projeto Luar, organizado pela coreógrafa Rita Serpa, apresentará duas coreografias: O Bolero do Borel e Alagados. A primeira é uma adaptação do Bolero de Ravel, mas no contexto do cotidiano da favela do Morro do Borel. Já Alagados é uma brincadeira bem ao espírito brasileiro: a insistência de um povo, que apesar da miséria, acredita que em alguma hora a situação vai melhorar.Cobertores é um trabalho da Cia. Étnica de Dança e Teatro e tem como tema a solidariedade. Sacos de lixo, brinquedos, embalagens de biscoitos, chupetas e cobertores compõem o cenário. A direção é de Carmem Luz.Para fechar, o Balé Stagium mostra À Margem dos Trilhos, uma coreografia que resultou da experiência do grupo em unidades da Febem. Um trabalho que aborda o cotidiano violento e o medo existente na vida dentro das grandes cidades.

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