Dança clássica toma conta das ruas de Joinville

Joinville se assemelha vagamente às cidades que recebem os trios elétricos de Salvador, quando realizam seu carnaval fora de época. Carros de som passam pelas ruas anunciando a programação, mas a dança aqui é diferente. A dança clássica domina tradicionalmente o Festival de Dança de Joinville que chega à sua 23.ª edição, comemorando o fato de ter entrado para o Guiness Book of Recordes de 2005 como o maior festival de dança do mundo.Mas a chuva intermitente impede que os palcos espalhados por cerca de 17 locais diferentes da cidade exibam sua programação com os grupos que participam do evento e resfria o clima de festa.Ganham os shoppings. O maior deles, o Mueller, montou um palco com quatro horas de apresentações por dia, aulas de dança de salão, exposições fotográficas e um espaço para os baladeiros ouvirem o som de um DJ e escolherem as opções de lugares para esticar a noite, já que são famosas as baladas de Joinville nesta época de festival.Mas o Festival de Dança de Joinville não é uma festa. Trata-se de um festival competitivo, que ao final elege o melhor grupo, entre mais de 200 participantes, e os melhores bailarinos.BolshoiHá uma intensa programação de aulas que ocorrem durante as manhãs e tardes e ocupam as salas de aula da Escola Bolshoi, única filial fora da Rússia, que se encontra em recesso. Enquanto ocorre o festival de Joinville, seus alunos se apresentam em Petrópolis.Fundada em 2000, em Joinville, justamente pela tradição da cidade com relação à dança, o nome da escola esteve envolvido em denúncias de corrupção no início do ano. Em 14 de fevereiro, o Ministério Público Federal em Santa Catarina acusou a administração da escola, comandada por Antônio João Ribeiro Prestes, filho do falecido líder comunista Luis Carlos Prestes, e por sua mulher Joseney Braska Negrão, de desviar dinheiro recebido por doações e patrocínios.A denúncia, que envolvia nove pessoas acusadas de desviar verbas do contrato público de patrocínio entre a Escola Bolshoi no Brasil e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, foi rejeitada pelo juiz da 4.ª Vara Federal de Joinville, Marcos Hideo Hamasaki, em 30 de março, segundo publicou o site da revista Consultor Jurídico. Segundo Henrique Beling, do núcleo de supervisão geral da Escola Bolshoi, a escola passou por maus momentos, com o fim do contrato com os Correios, reduziu o número de funcionários de 80 para 62, contou com a ajuda de empresas de Joinville para se manter e agora firmou um novo parceiro, a Assolam, para investir R$ 1 milhão por ano na escola. Atualmente, são 250 alunos, 100 meninos e 150 meninas, sendo que deste total 94% são bolsistas. Entrar ali continua tão ou mais difícil do que quando foi inaugurada. As visitas são previamente agendadas e ocorrem de hora em hora durante o festival... e severamente guiadas. Enquanto um homem explica ao grupo passo a passo como funciona a escola, duas moças impecavelmente bem vestidas de terninho preto e camisa branca cercam o grupo.A escola cresceu muito e vai crescer ainda mais, segundo os planos de erigir o projeto que Oscar Niemeyer - muito amigo de Luiz Carlos Prestes - fez para a escola e que é exibido em uma maquete na entrada do prédio. Se tudo der certo no ano que vem ela já estará funcionando em outro endereço, conta Beling. As instalações atuais ficarão para a Prefeitura, que cedeu o espaço para a escola por dez anos. O Bolshoi, famoso teatro de Moscou, fechou as portas no dia 1.º de julho para três anos de reformas, que terão um custo estimado de US$ 700 milhões, informou às agências internacionais a assessora de imprensa Svetlana Zavorotna da casa. O teatro, danificado pela passagem do tempo, foi construído há 150 anos, sobre um terreno pantanoso, e as obras visam a consolidar suas bases e criar um amplo espaço subterrâneo.Dança como promessa de ascensão social A dança surge como uma porta de ascensão social para algumas pessoas, como bem mostra o filme Billy Elliot (2000), de Stephen Daldry. Na porta da Escola Bolshoi, um casal, três crianças e mais uma mulher comemoravam felizes sua inscrição para fazer a visita guiada à escola. Luciana Benício, artista plástica contava que tinha sido bailarina por 24 anos e que suas duas filhas, Laís de 11 anos, Maria Clara, de 6 e a amiga Júlia da mesma idade, estudavam balé na cidade onde moram, Videira, no interior de Santa Catarina. Estavam acompanhadas da professora das meninas, Maria da Graça Peruche. ?É um orgulho ter essa escola em nosso Estado?, diz Luciana. Contava que conhecia a escola de ouvir falar, especialmente do caso da filha de uma amiga, Regina Viana de Blumenau, que estudou ali e agora está dançando e estudando em Toronto, no Canadá. ?Só escuto elogios sobre essa escola?, disse Luciana.

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