Dan Stulbach usa experiência de contrarregra em IRMA VAP

Pela primeira vez em sua carreira, Dan Stulbach dividiu a forma de se preparar para uma nova peça: ao mesmo tempo em que ensaiava no palco, malhava em uma academia de ginástica. "A exigência física é muito grande, o que exige bom fôlego", disse o ator que, por outro lado, sabe como é a sensação de trabalhar muito próximo a contrarregras, camareiras e iluminadores. "Fui assistente durante um período da temporada de O Mistério de Irma Vap - eu acertava as luzes depois que o elenco ia embora - e sei como a precisão dos gestos aqui é fundamental."

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

A experiência permitiu um sólido entendimento dos bastidores. "Comprei muitas lâmpadas na Rua Santa Efigênia e sabia montar muito bem um refletor."

Ao contrário dos colegas, Stulbach interpreta apenas um personagem em Os 39 Degraus, mas praticamente não sai de cena. Daí a necessidade de um bom preparo físico. Ele também precisou contar com a boa vontade de Luiz Fernando de Carvalho, que prepara a próxima minissérie da Globo, Afinal, O Que Querem as Mulheres?, que começa em outubro. "Luiz foi compreensivo e abriu espaço para que eu ensaiasse a peça", conta o ator, que estreou profissionalmente há exatamente 20 anos. "Em agosto de 1990, eu iniciei a temporada de Peer Gynt, de Ibsen, com direção de Roberto Lage, e, desde então, não havia experimentado ainda uma montagem tão diferente como Os 39 Degraus."

Na verdade, Stulbach desconfiou no início - afinal, todos diziam que Richard Hannay era um papel com o seu perfil. "Mais que isso, o que me atraiu foi a chance de fazer um tipo específico de comédia, mais cínica, em um tom amalucado", explica. "Humor é como matemática ou mesmo uma partitura: tem de surgir no momento exato para provocar o efeito esperado."

Como assistiu à uma montagem americana de Os 39 Degraus, Stulbach já sabe o que vai diferenciar a versão brasileira. "O ator estrangeiro prende-se demais na técnica, praticamente repetindo os mesmos gestos todos os dias, enquanto nós somos mais criativos, mais maleáveis." Segundo ele, a peça, assim, torna-se uma celebração ao próprio teatro.

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