Dan Fialdini expõe em SP

As esculturas que Dan Fialdini expõe na Dan Galeria (uma mera coincidência de nomes) despertam uma nostalgia de um tempo e um lugar indefinidos. São casas, fachadas, barcos ou estranhos cenários imaginários, esculpidos no mármore, que parecem saídos de alguma paisagem mediterrânea. Há uma certa teatralidade em sua obra, reforçada pelo uso da luz como elemento central da escultura.Dan não gosta de atribuir referências regionais a seu trabalho. "Eu não penso em nada", diz ele, realçando a importância da liberdade criativa, inconsciente, em seu trabalho. E conta que já destruiu várias coisas a marteladas por julgar que havia forçado demais em alguma direção. Mas se diverte lembrando que alguns o relacionam com Israel, outros com a Itália, outros ainda com a Grécia. Para ele isso não importa. Mas concorda que talvez o material seja parcialmente responsável pelo clima mediterrâneo, berço da civilização ocidental, identificado no trabalho.Afinal, o mármore é a matéria-prima por excelência da escultura, e em sua obra tudo começa com a pedra. É o mármore que indica os caminhos a serem tomados. No último um ano e meio, foram 20 diálogos diferentes travados com a pedra, sem temer a figura como no início.Se for preciso traçar algum tipo de árvore genealógica, ela seguramente pertence à família metafísica dos Morandis e De Chiricos, que estão entre os artistas que Fialdini aprendeu a admirar nos 30 anos que já dedicou à arte. Afinal, ele começou a trabalhar no Masp em 1970, onde permaneceu por 21 anos tornando-se um dos principais auxiliares de Pietro Maria Bardi.Se essa experiência foi muito importante para sua formação como artista, ela também serviu para retardar a evolução da carreira de Fialdini. Como pondera Cacilda Teixeira da Costa no catálogo da exposição, a museologia fez com que ele não assumisse por vários anos "a aspiração secreta" de escultor, talvez intimidado pelo convívio com tantas obras-primas, "que constituíam ao mesmo tempo estímulo e bloqueio". A lentidão do processo, no entanto, acabou contribuindo para o amadurecimento do trabalho.Figuração - "A minha primeira escultura não tinha nada de figurativo", conta ele, afirmando que havia tentado fazer algo totalmente formal com aquelas caixinhas empilhadas. Mas as pessoas diziam: "bonitinho esse prédio", conta ele. A escultura é de 1986. Não é a primeira de sua carreira, mas a que considera o ponto de partida de uma longa pesquisa que culminou com o atual projeto."Continuo fazendo as mesmas coisas, mas fui amadurecendo no processo", explica Fialdini. Esse desenvolvimento passou também por uma evolução técnica. Após ter aprendido a lidar com o mármore da maneira tradicional, Fialdini foi à Itália fazer um curso de aperfeiçoamento, aprendendo novas e mais rápidas maneiras de trabalhar a pedra.Dentre os vários tipos de mármore, ele prefere o travertino romano, uma pedra porosa, bem menos nobre do que o de Carrara, mas que garante uma maior dramaticidade à escultura. Mesmo não havendo nada de catártico ou de compulsivo na obra de Fialdini - "esculpir é algo lento, que requer disciplina" -, ela é totalmente feita de sentimento.É possível perceber em cada escultura um esforço em traduzir em formas um certo pensamento e uma certa emoção perante o mundo. As vezes isso ocorre de forma explícita, como na última peça que executou para a exposição, pensando no filho que mora na Suíça.Dan Fialdini - De segunda a sexta-feira, das 10 às 19 horas; sábado, das 10 às 13 horas. Dan Galeria. Rua Estados Unidos, 1.638, tel. 853-7429. Até 11/11.

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