Dan Brown em primeira audiência de processo por plágio

Em meio a uma grande expectativa, o escritor Dan Brown assistiu ontem, em Londres, ao primeiro dia do julgamento do processo por violação dos direitos autorais apresentado contra sua editora por dois escritores, que o acusam de plágio em O Código Da Vinci.Michael Baigent e Richard Leigh, dois dos três autores de Holy Blood, Holy Grail (publicado em português com o título O Santo Graal e a Linhagem Sagrada), asseguram que Brown copiou a tese central de seu livro, escrito em 1982, em seu famoso romance.Os autores, que processaram sua editora, a Random House, que publicou O Código Da Vinci, defendem em sua obra que Jesus sobreviveu à crucificação e se casou com Maria Madalena, com a qual teve um filho e cuja descendência continua até a atualidade.Segundo essa teoria, seus descendentes se casaram com reis franceses e há uma sociedade secreta na França que pretende colocar essa linhagem no trono do país, e de outras nações européias.Brown, que não falou no tribunal nem com a imprensa, trata uma idéia similar em seu livro, que foi traduzido para 44 idiomas e já vendeu mais de 40 milhões de exemplares.Na audiência realizada no Tribunal Superior de Justiça, no centro de Londres, o advogado que representa Baigent e Leigh, Jonathan James, disse que O Código Da Vinci representa "uma violação dos direitos autorais" de seus clientes."Apropriação"Segundo o advogado, Brown "tinha se apropriado" da idéia central de Santo Graal e a Linhagem Sagradara que foi um sucesso de vendas, traduzida também a vários idiomas e "deu lugar a outros livros em que se desenvolveram diferentes aspectos da obra"."Não se pode discutir que Brown era consciente da importância de to Graal e a Linhagem Sagrada quando escreveu O Código Da Vinci", acrescentou.No entanto, Brown manteve até agora que este livro não foi "crucial ou importante" para a criação de seu romance.O escritor americano assegurou que não havia ouvido falar dele até que o viu mencionado em uma das obras que utilizou em sua pesquisa.John Baldwing, representante legal da Random House, rejeitou as reivindicações dos litigantes ao assegurar que as idéias que eles afirmam que foram copiadas "são muito gerais", por isso não estão protegidas pelos direitos autorais nem há lugar a um eventual plágio.Ele disse ainda que muitas delas nem sequer são originais de O Santo Graal e a Linhagem Sagrada.Em comunicado entregue aos jornalistas, o diretor-executivo da Random House, Gail Rebuck, lembrou que a companhia publicou os dois livros e lamentou que dois dos autores de O Santo Graal e a Linhagem Sagrada tenham decidido entrar com ações legais contra a editora."A Random House não se agrada nem um pouco por ter que se defender de uma ação legal que acha não merecer e temos certeza que ganharemos", acrescenta Rebuck na nota.Se os dois escritores tiverem êxito, isso poderia ameaçar à estréia britânica do filme baseada na obra, protagonizada por Tom Hanks e Ian McKellen, com lançamento previsto para 19 de maio.O julgamento, que pode durar mais de duas semanas, pode ter repercussões sobre as leis de direitos autorais, já que estabelecerá até que ponto um escritor pode utilizar a pesquisa em outros livros para elaborar sua obra.

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2006 | 13h34

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