Damien Hirst procura 'reconhecimento' com retorno à pintura

A mostra consiste em 25 obras pintadas entre 2006 e 2008 com as quais o artista volta aos pincéis

Efe,

14 de outubro de 2009 | 18h27

Foto: Reuters

 

LONDRES - Damien Hirst, considerado o "enfant terrible" da arte britânica, conhecido pelas instalações com animais em formol, procura "reconhecimento" e "aprovação" com seu surpreendente retorno à pintura.

 

É o que disse à Agência Efe Christoph Vogterr, o curador de sua nova exposição no museu Wallace Collection, em Londres, casa de verdadeiras obras-primas da pintura europeia clássica.

 

A partir desta quarta-feira, 14, o museu recebe a primeira série de pinturas de Hirst, intitulada No Love Lost, Blue Paintings by Damien Hirst, em exposição que vai até o dia 24 de janeiro.

 

A mostra consiste em 25 obras pintadas entre 2006 e 2008 com as quais o artista, considerado o mais influente de sua geração no Reino Unido, volta a pegar nos pincéis no sentido mais tradicional.

 

Com este marcado giro em sua trajetória, dominada até o momento por provocadoras instalações de arte conceitual, Hirst almeja "ser reconhecido" e "obter a aprovação do público", disse Christoph Vogtherr.

 

Foto: Efe

 

A relação do artista de 44 anos com sua imagem pública, na qual se mistura a admiração por sua obra com um ceticismo por seu marcado instinto comercial, "é de amor e ódio", diz Vogtherr, já que dela tira proveito e, ao mesmo tempo, sente desgosto.

 

Assim, em diversas entrevistas anteriores à apresentação pública de seus quadros - alguns deles foram expostos antes em Kiev -, Hirst expressou seu temor de que a crítica os "destroçasse", algo que o curado disse acreditar que não vai acontecer.

 

"A surpresa inicial de ver o que foi capaz de produzir se transforma depois em um sentimento positivo", opina Voghterr, ao observar que as obras ainda são uma transição entre suas criações mais conhecidas rumo a "um novo caminho que não se sabe para onde o conduzirá".

 

"No Love Lost" é uma série de pinturas de tons escuros, com destaque para o azul e o preto, tendo a morte como tema recorrente.

 

Desde suas vacas e tubarões em formol até suas composições com bitucas de cigarro, muitas das obras do artista exploram esse conceito e que volta a abordar em suas pinturas, dominadas por caveiras, ossos e cinzeiros vazios, que para ele simbolizam cemitérios.

 

A obra "Floating Skull" (2006), um crânio azulado que salta sobre um fundo negro, pertence a uma série inicial da qual é a única sobrevivente e é muito mais obscura do que quadros posteriores, como "Men Shall Know Nothing" (2008), na qual a cor azul vai se fazendo mais presente.

 

Todas as obras exibem elementos típicos da produção do artista, entre eles ossadas e esqueletos de animais, o que confirma essa sensação de transição.

 

Para Voghterr, desde o início de sua carreira, Hirst "desafiou o que significa ser um artista" - no ano passado, escandalizou o mundo da arte e ganhou uma fortuna ao leiloar obras de sua autoria sem intermediários -, e seu salto à pintura seria outro passo nessa direção.

 

Também não é comum sua escolha da intimista Wallace Collection para apresentar sua pintura ao público; porém, segundo o próprio artista, ele quer estabelecer uma conexão com os pintores clássicos, "conectar com o passado".

 

Hirst bancou do próprio bolso uma reforma das salas da Wallace Collection que custou quase 250 mil libras para que sua exposição tivesse entrada gratuita. Ele é o segundo pintor vivo a expor no museu - o outro foi Lucian Freud, em 2004.

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