Thalyta Veras/Divulgação
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'Damas da TV' celebra 50 anos de novela

Série do canal Viva biografa 23 grandes atrizes que atuaram nos folhetins brasileiros durante a maior parte do período

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 02h22

Aspirantes a protagonistas de novelas da Globo que disputam uma fala no roteiro de Malhação mal têm ideia da vida pré-Projac, o complexo de estúdios da emissora em Jacarepaguá. Hoje, quando um ator chega a algum daqueles estúdios para gravar, luz, câmera, microfones e o que mais for preciso estão prontos para o seu trabalho. Mas nem sempre foi assim. Glória Menezes que o diga. Ela estava na TV Excelsior, em 1963, quando 2-5499 Ocupado, a primeira telenovela diária, foi ao ar e conta sua história na estreia da série Damas da TV, quarta-feira, no canal Viva, às 21h.

Serão 23 episódios, cada um biografando uma atriz da primeira safra da telenovela brasileira, que agora completa 50 anos. A lista começa por Glória Menezes e é fechada por outra Glória, a Pires, que também festeja seu meio século de vida este ano, tendo apenas 5 a menos de TV.

Entre uma Glória e outra, teremos Ana Rosa, Aracy Balabanian, Arlete Salles, Betty Faria, Débora Duarte, Eva Wilma, Fernanda Montenegro, Irene Ravache, Joana Fomm, Laura Cardoso, Marieta Severo, Marília Pêra, Nathalia Timberg, Nicette Bruno, Nívea Maria, Regina Duarte, Renata Sorrah, Rosamaria Murtinho, Ruth de Souza, Susana Vieira e Yoná Magalhães.

A seleção teve como critério as atrizes que vêm fazendo novelas na maior parte desses 50 anos - daí a faixa etária do elenco, que tem Glória Pires como caçula. Uma segunda temporada, com atrizes na faixa dos 30 aos 50, já habita a imaginação de Hermes Frederico, idealizador e produtor da série, em parceria com o Viva e a produtora Seu Filme. Profundo conhecedor da teledramaturgia brasileira, Hermes é professor da PUC-Rio, diretor na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) e na Faculdade CAL.

Até por esse critério, de filtrar o trabalho de mulheres que estão em cena na telenovela brasileira há 50 anos ou quase, Hermes conta que não sofreu para chegar à lista de 23 atrizes. "Não houve restrições", disse ele ao Estado, quando perguntado se teve de cortar algum nome do elenco. "Foi um processo sem conflitos", completou.

Damas da TV é, a bem dizer, um derivado mais robusto do Damas do Teatro, série que Hermes realizou para o canal GNT há 10 anos, quando Letícia Muhana, agora diretora do Viva, comandava a emissora. Do momento em que os dois conversaram a valer sobre uma série que entrevistasse grandes atrizes dentro do universo da teledramaturgia, até sua realização, foram dois pulos. "Eu devo ter estado com a Letícia em outubro ou dezembro do ano passado, fomos trocando ideias e logo iniciamos a produção", contou.

O foco ficou sobretudo na telenovela. Tanto assim que Marília Pêra apenas menciona sua Juliana na minissérie O Primo Basílio (1988), que gerou muita repercussão à época, para concentrar seu discurso nas novelas em que atuou.

Não espere de Damas da TV qualquer atenção sobre a vida pessoal dessas mulheres. "O programa trata da carreira delas, nesses mais de 40 anos de trabalho. É um programa afetuoso, elas são afetuosas com a carreira delas."

O professor ressalta que estamos tratando de um meio século com uma geração antes inexistente. "São 50 anos que o Brasil acompanhou, em toda a sua história, através dessas atrizes, a história da cultura brasileira, porque o público foi envelhecendo e viu Fernanda envelhecer, viu Regina envelhecer, viu Glória: não tínhamos esse histórico cultural. As novelas, antes, não tinham a voz dos avós."

Cada entrevista rendeu em torno de 1h30 de gravação, para uma edição de 25 a 30 minutos no ar. O único senão de Damas na TV é o horário, que concorre justamente com a matriz do gênero: a novela das 9 da Globo. Resta o consolo das reprises aos sábados, 22 h, e domingos, 23 h.

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